A propósito do feriado de 1 de maio, data em que se comemora o Dia do Trabalhador, o Iniciativa Liberal (IL), através das redes sociais, reclamou o "salário a quem trabalha". "A carga fiscal no teu salário é asfixiante e pornográfica. Lutas por um aumento e, quando finalmente o consegues, mal o notas no teu salário porque o Estado fica com boa parte desse aumento", destaca-se na página oficial de Facebook do partido.

Segundo o IL, "é inaceitável que o Estado fique com metade do aumento de um salário de 800€ para 900€ brutos".

O Polígrafo pediu esclarecimentos à Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) que começa por alertar que, para efeitos dos cálculos realizados, considerou que o trabalhador em causa é "um sujeito passivo solteiro e sem dependentes" e que, numa subida de 800 para 900 euros de salário bruto mensal, "a base dos cálculos é a diferença dos 100 euros brutos mensais, que supostamente reverteriam para o trabalhador".

Segundo a DECO, dos 100 euros mencionados, "a cargo do trabalhador ficam 23 euros respeitantes ao IRS mais 11 euros em contribuições para a Segurança Social". Ou seja, "da fatia que se destinaria ao trabalhador, para o Estado ficam 34 euros e o trabalhador só vai receber os 66 Euros que sobram".

No que diz respeito à entidade empregadora, a associação explica que "a despesa adicional com aquele aumento de salário é de 123,75 euros (este valor resulta da soma dos seguintes valores: 100 euros do aumento bruto mais 23,75% de Taxa Social Única - TSU).

Assim, destes 123,75 euros, a entidade empregadora entrega 57,75 euros ao Estado (23,75 euros de TSU mais os 34 euros do trabalhador). No total, os 57,75 euros correspondem a 47% de 123,75 euros. Assim, a DECO conclui que, considerando apenas o lado do trabalhador, este entrega 34% do seu aumento ao Estado. Por outro lado, tendo em conta o lado da entidade empregadora, que na verdade "age por si e em representação do trabalhador", esta "entrega 47% do aumento ao Estado".

A Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor esclarece ainda que a percentagem daquilo que o Estado vai receber "depende da perspetiva como observarmos o cenário" e relembra ainda que "a parte respeitante às contribuições para a Segurança Social representa um contributo para as prestações sociais, que o trabalhador espera vir a receber".

No entanto, a premissa apresentada pelo Iniciativa Liberal não deixa de estar correta. De facto, analisando a totalidade de descontos que recaem sobre este aumento salarial (quer os que são feitos pela empresa diretamente ou por esta em nome do trabalhador), o Estado absorve 57,75 euros (47% de 123,75 euros), ou seja, praticamente metade do valor desta subida no ordenado mensal.

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Avaliação do Polígrafo:

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