A posição do Iniciativa Liberal (IL) em relação à TAP Air Portugal é clara: o partido defende a privatização total da empresa, com o intuito da "diminuição de despesa pública e utilização da receita proveniente da privatização para a amortização da dívida pública".

A 19 de abril, os liberais utilizaram as redes sociais para, mais uma vez, criticar os prejuízos que a empresa pública tem registado nos últimos anos e para insistir que a companhia aérea "não está a servir o país, as comunidades e não nos serve nos momentos estratégicos".

O partido destaca três ocasiões em que, alegadamente, a "companhia aérea estratégica" falhou na sua missão. O primeiro, a 19 de janeiro de 2020, quando o Estado Português procedeu ao repatriamento de portugueses que estavam na cidade chinesa de Wuhan, no início da pandemia de Covid-19. Tal como noticiado pela Agência Lusa, a companhia portuguesa Hi Fly "foi fretada para fazer o resgate de cidadãos europeus em território chinês".

No post recorda-se também a polémica viagem de António Costa aos Açores num voo da Ryanair. Na altura, o primeiro-ministro deslocou-se a propósito da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2022. O "Jornal Económico" noticiou que a escolha da companhia aérea low cost justificou-se com a "falta de outras opções para que António Costa pudesse chegar a horas à região autónoma".

Por fim, a IL afirma na publicação em análise que, a 15 de abril de 2022, a deslocação de militares portugueses para a Roménia foi efetuada através da companhia "Euro Atlantic Airways".

Contactado pelo Polígrafo, o Ministério da Defesa Nacional confirma esta informação. "Os 184 militares da Força Nacional Destacada (FND), que no dia 15 de abril viajaram para a Roménia no âmbito de uma missão de dissuasão e reforço da segurança no flanco Leste da Aliança Atlântica, foram transportados numa aeronave da companhia EuroAtlantic", esclarece. E acrescenta que, entre os países membros da NATO, "90% do transporte militar é feito com recurso a meios comerciais. Uma vez que, "nem todos os Estados dispõem dos meios necessários para transportar toda e qualquer força [militar], a qualquer momento".

"Os 184 militares da Força Nacional Destacada (FND), que no dia 15 de abril viajaram para a Roménia no âmbito de uma missão de dissuasão e reforço da segurança no flanco Leste da Aliança Atlântica, foram transportados numa aeronave da companhia EuroAtlantic".

Questionado sobre o motivo de não ter recorrido aos serviços da companhia aérea pública portuguesa, o ministério liderado por Helena Carreiras assegura que, "o Exército Português tem recorrido por diversas vezes aos serviços da TAP para o transporte de militares, ao longo dos anos".

Referindo-se ao caso da deslocação dos militares até à Roménia, o ministério explica que a TAP "não foi convidada a apresentar proposta uma vez que em consultas anteriores para fins semelhantes, nos últimos dois anos, a transportadora aérea informou não dispor dos meios necessários e adequados para realizar o serviço pretendido". "Neste contexto, o Exército contactou empresas de transportes e logística, e a entidade contratada escolheu, por sua vez, o seu fornecedor", informa ainda o ministério.

A TAP "não foi convidada a apresentar proposta uma vez que em consultas anteriores para fins semelhantes, nos últimos dois anos, a transportadora aérea informou não dispor dos meios necessários e adequados para realizar o serviço pretendido".

Ao Polígrafo, fonte oficial da TAP assegura que as áreas de vendas e de carga da TAP, que tratam de todos os pedidos de voos charter ou de transporte de carga, "têm respondido a todos os pedidos de apresentação de propostas que têm sido dirigidos à companhia, tanto diretamente pelos diferentes ramos das Forças Armadas, como pelo Ministério da Defesa, ou através de agentes intermediários mandatados por estas entidades para o efeito".

A companhia aérea assegura ainda que "não tem registo de qualquer de pedido de proposta que tenha ficado por responder, nem qualquer resposta, nos últimos dois anos, com a aludida informação de a TAP 'não dispor dos meios necessários e adequados para realizar o serviço pretendido'", indicada pelo Ministério da Defesa Nacional. A TAP afirma ainda que "tem sempre apresentado propostas bastante competitivas, quando solicitada para o efeito".

Perante a informação apresentada pela companhia aérea portuguesa, o Polígrafo solicitou novos esclarecimentos ao Ministério da Defesa Nacional. No entanto, até ao momento não recebeu resposta.

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