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ICNF quer “conservar” local onde funcionou a central de Sines?

Ambiente
O que está em causa?
A localização polémica do novo data center de Sines é esmiuçada num "tweet" a propósito da Zona Especial de Conservação (ZEC) e da investigação iniciada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) após o Ministério Público ter revelado que o terreno incluía três charcos temporários mediterrânicos, ricos em biodiversidade. Mas será verdade que o "ICNF quer conservar uma ruína de um aeródromo" e uma zona onde já existiu uma central a carvão?

“Sobre a Zona Especial de Conservação (ZEC) de Sines e o sítio onde vai ficar o novo data center da Start Campus”. Este é o mote para uma discussão promovida por um “tweet” de 20 de novembro, que exibe um conjunto de quatro imagens relativas à ZEC de Sines.

As fotografias “realistas”, na metade inferior da imagem, mostram o local onde está a ser construído o data center: não há sinal de plantas, animais ou qualquer outro tipo de “vida” para “conservar”. O autor do “tweet” acrescenta ainda “a ZEC também abrange a central de Sines”. E questiona: “O ICNF quer conservar uma central a carvão?”

Estas acusações têm fundamento?

A localização do novo data center, ainda a ser construído, é polémica precisamente por estar parcialmente dentro dos limites de uma ZEC que integra a Rede Natura 2000. Trata-se da ZEC Costa Sudoeste, que integra a área protegida do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, e que “ocupa uma superfície de 89.568,77 hectares”, tal como indica o site do ICNF.

A primeira fase da construção do complexo tecnológico Sines 4.0 começou no final de abril de 2022, contando com uma área de nove hectares situada “na parcela de terreno mais próxima do oceano, dentro da faixa de terreno contígua à já desativada central a carvão de Sines”, segundo noticiou há um ano o jornal “Expresso“.

Mediante a suspeita de que o terreno onde a Start Campus iniciou a construção do data center de Sines incluía três charcos temporários mediterrânicos e habitats ricos em biodiversidade protegidos pela legislação europeia, o ICNF decidiu avançar com uma investigação que detalhou que um destes três charcos foi já “terraplenado para a construção do primeiro edifício”.

Ao Polígrafo, o ICNF confirmou que a ZEC Costa Sudoeste “abrange a zona da antiga central termoelétrica de Sines”, mas explica que, “no que diz respeito a projetos a implementar dentro da zona ZEC Costa Sudoeste, a legislação obriga à realização de Avaliação de Impacte Ambiental, que se encontra ainda a decorrer”.

O que está em causa neste local? De acordo com a entidade, “a preservação de plantas protegidas que se encontravam em dois charcos temporários, tendo sido determinada a translocação dessas mesmas espécies”. Foi a suspeita de destruição de habitats prioritários que motivou então a “ação de fiscalização” decorrida “durante a semana passada, estando o ICNF a concluir o respetivo relatório”.

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Avaliação do Polígrafo:

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