“Estamos a trabalhar por um país melhor”, destaca-se numa publicação de 21 de março na página do PSD na rede social Facebook. Serve de mote à apresentação de um conjunto de citações de Hugo Soares, líder da bancada parlamentar do PSD, todas no sentido de elogiar a atuação do Governo da Aliança Democrática (coligação PSD/CDS-PP) e salientar a obtenção de resultados concretos.
Desde logo ao nível dos salários. “É um país onde se conseguiu pela primeira vez que o salário médio subisse acima da percentagem do salário mínimo”, afirmou Soares.
Esta alegação tem fundamento?
De facto, o salário médio (ou remuneração bruta total mensal média por trabalhador, com base em dados do INE – Instituto Nacional de Estatística) aumentou 6,3% para 1.602 euros em 2024 e voltou a subir mais 5,6% para 1.694 euros em 2025. Sublinhe-se aqui que o primeiro Governo liderado por Luís Montenegro tomou posse em abril de 2024.
Mas quer em 2024, quer em 2025, o incremento do salário mínimo nacional foi superior, em percentagem: 7,9% e 6,1%, respetivamente.
Em resposta ao Polígrafo, fonte oficial do Grupo Parlamentar do PSD remeteu para outro indicador: o salário médio líquido que, em 2025, registou um aumento de cerca de 8,2% (valor nominal de 97 euros, subindo então de 1.185 para 1.282 euros).
Ou seja, acima do aumento de 6,1% do salário mínimo nesse ano de 2025.
O problema é que a citação de Soares foi recolhida a partir de uma entrevista ao jornal “Observador” (publicada no dia 18 de março) em que o deputado não especifica que se referiria ao salário médio líquido – e não aos indicadores mais comuns das remunerações brutas que são destacados nos boletins do INE.
“É um país onde se conseguiu pela primeira vez que o salário médio subisse acima da percentagem do salário mínimo, mais do que a perspectiva do acordo tripartido do Governo em concertação social”, afirmou Soares na entrevista.
No entanto, mesmo tendo em conta esse indicador do salário médio líquido – disponível na base de dados do INE sob a denominação de “rendimento médio mensal líquido da população empregada por conta de outrem” -, o facto é que não foi a primeira vez que subiu acima da percentagem do aumento do salário mínimo.
Já tinha acontecido em 2024 (ano em que foi executado um Orçamento do Estado ainda da iniciativa do anterior Governo do PS), quando o salário médio líquido registou um aumento de cerca de 10,1% (valor nominal de 109 euros, subindo então de 1.076 para 1.185 euros). Nesse mesmo ano, o aumento do salário mínimo foi de 7,9%.
E recuando mais no tempo deparamos com outros exemplos: o salário médio líquido aumentou 0,6% em 2014 e 0,3% em 2012, dois anos em que o salário mínimo permaneceu congelado no mesmo valor nominal de 485 euros.
_______________________________
Avaliação do Polígrafo:


