Se está em quarentena ou em isolamento é provável que já tenha usado a Houseparty para fazer vídeochamadas, com um ou com muitos mais amigos. Caso não esteja, se calhar também já a usou para falar com outros amigos que estejam trancados em casa. Se, ainda assim, não pertence a nenhum dos dois grupos, nós explicamos: a Houseparty é uma rede social baseada em chamadas de vídeo que tem por objetivo recriar, à distância, o convívio entre grupos de amigos. Nas últimas semanas, sobretudo depois da declaração do estado de emergência, que define o dever de isolamento social, a app tornou-se numa das mais usadas em smartphones.

Contudo, os tempos de glória para a invenção da empresa Epic Games duraram pouco tempo. Nos últimos dias, a Houseparty tem estado debaixo de fogo por, alegadamente, apresentar graves falhas de segurança. Vários leitores do Polígrafo endereçaram-nos a sua preocupação: «Recebi uma notícia, via WhatsApp, que me preocupa», narra um. A notícia a que este leitor se refere foi reencaminhada para muitos outros portugueses: «A minha família está toda num alvoroço por causa disto, mas se tem o Houseparty aconselho desinstalar… se procurarem na net já existem algumas notícias sobre a ‘segurança’ dessa app. ‘Apaguem HouseParty roubaram 800€ a uma miúda da católica, clonaram um cartão de um amigo meu, entraram no Spotify e no Netflix de outro etc etc», mensagem preocupante, que também circula noutras redes sociais, como o Facebook ou o Twitter.

houseparty

Os alertas sugerem que a aplicação foi hackeada e que os piratas informáticos estão a roubar dados pessoais e financeiros a quem a tem, ou teve, instalada. Em pouco tempo tornaram-se de tal forma virais, que o jornal Daily Mail fez notícia com o alegado crime informático que estaria a lesar milhões de pessoas.

houseparty

Pois bem, não há evidências de que isto seja verdade. Em primeiro lugar, foram os administradores da aplicação a desmentir os rumores, através de um post no Twitter: «Todas as contas Houseparty são seguras, o serviço é seguro, não foi violado, e não recolhe palavras-passe de outros sites.»

Mais tarde, a empresa voltou a pronunciar-se no Twitter, por suspeitar estar a ser vítima de uma campanha de difamação: «Estamos a investigar indícios de que os rumores recentes sobre piratas informáticos foram espalhados por uma campanha comercial para prejudicar a Houseparty. Oferecemos uma recompensa de 920 mil euros a quem nos fornecer provas dessa campanha.»

O Instituto Nacional de Cibersegurança espanhol, entrevistado pelo site de verificação de factos Newtral, garante que em Espanha também não há nenhuma indicação de que a aplicação tenha sido pirateada: «O objetivo (do boato) é criar alarme ou chamar a atenção dos utilizadores.»

Porém, esta quinta-feira, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor avisou os portugueses que não devem descarregar a app, não porque tenha sido pirateada, mas porque, para a instalar, é necessário fornecer uma grande quantidade de informação. De acordo com os testes feitos pela Deco, para além do «nome de utilizador, emaile password», a Houseparty recolhe «som, imagem, localização» e informações pessoais como «identificadores únicos, contactos ou números de telemóvel», embora garanta que os mesmos não são partilhados com terceiros. No entanto, a associação dá como certo que a app partilha estas informações pessoais com uma «longa lista de empresas terceiras como a Facebook, a Google e empresas de publicidade». Além disso, recolhe e envia para a Epic Games, a criadora da rede social, uma lista de aplicações já instaladas no telemóvel, um tipo de informação que não deveria ser reunida e à qual a Houseparty não faz qualquer referência explícita nos termos de utilização.

Avaliação do Polígrafo:

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.
Falso
International Fact-Checking Network