"Quando as imagens do 'colapso' incluem manequins", comenta-se na publicação original que deu origem a milhares de partilhas nas redes sociais.

Trata-se de um excerto descontextualizado de uma reportagem televisiva em que aparecem manequins deitados em camas de cuidados intensivos, a serem movidos por profissionais de saúde no Centro Hospitalar Universitário da Cova da Beira (CHUCB), Covilhã.

"É um boneco, é um boneco, isto é propaganda", ouve-se dizer por cima da gravação em vídeo, quando aparecem as imagens em causa.

Confirma-se que o Hospital da Covilhã utiliza manequins para fingir que são doentes com Covid-19?

O vídeo corresponde a um excerto de uma reportagem emitida num telejornal da TVI, a 25 de janeiro, informando que o CHUCB estava "sem vagas em cuidados intensivos", por causa da pandemia de Covid-19. As imagens são autênticas, mas estão descontextualizadas e não comprovam qualquer tipo de "fraude" ou "propaganda".

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial do CHUCB confirma que as imagens foram captadas nas suas instalações.

No entanto, explica que foram gravadas "aquando da apresentação pública de um dispositivo médico inovador de proteção de profissionais de saúde que tratam doentes infetados com SARS-CoV2, desenvolvido por médicos investigadores da unidade de saúde, no dia 28 de novembro de 2020".

"Tratando-se de uma ação de divulgação de um produto, ainda que médico, não poderia implicar a participação de doentes", esclarece o CHUCB, justificando assim a utilização dos manequins na demonstração que foi acompanhada e posteriormente noticiada por vários órgãos de comunicação nacionais e regionais.

Reagindo à descontextualização do vídeo nas redes sociais, o CHUCB sublinha que "declina qualquer responsabilidade no que respeita à seleção de imagens ou edição de peças jornalísticas realizadas pelos meios de comunicação social".

De resto, confirma a situação de esgotamento de vagas nos cuidados intensivos com doentes de Covid-19. Atualmente, na enfermaria de Covid-19 do CHUCB, com capacidade para 125 camas, encontram-se internados 111 doentes. Na Unidade de Cuidados Intensivos estão internados sete doentes, restando apenas uma vaga.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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