"A quimioterapia é o grande engano da medicina". É esta a afirmação que, sobretudo nos Estados Unidos, tem agitado as redes sociais nos últimos dias. Não é para menos: é que mesmo não sendo uma certeza de cura, a quimioterapia é uma das poucas esperanças para quem sofre de uma doença oncológica. Talvez por isso, a publicação já tenha sido partilhada dezenas de milhares de vezes, de acordo com o site espanhol de verificação de factos Newtral.

A frase polémica é atribuída ao conhecido hospital Johns Hopkins, que fica em Baltimore, nos Estados Unidos, e que, além de ser um dos maiores do mundo, é também um dos que mais cartas tem dado na investigação e no tratamento de doenças oncológicas. Porém, uma breve pesquisa na Internet, revela que, sobretudo no Facebook, há outras publicações que atribuem ao hospital mais revelações no mínimo estranhas acerca do cancro. Alguns exemplos:

  • "Todas as pessoas têm células cancerígenas no corpo";
  • "Quando o sistema imunitário de uma pessoa é forte, as células cancerígenas serão destruídas e impedir-se-á a multiplicação e a formação de tumores";
  • "A cirurgia pode também provocar a invasão das células a outros órgãos";
  • "Uma maneira eficaz de combater o cancro é não dar de comer às células cancerígenas aqueles alimentos que precisam para se multiplicar."

A lista não fica por aqui, e são dadas muitas mais garantias que, pois bem, não fazem qualquer sentido. O alerta sobre o conjunto de informações falsas, atribuídas ao centro Johns Hopkins, é feito pelo próprio hospital através da sua página oficial na Internet. O centro reafirma que "as terapias tradicionais como a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia funcionam". É certo que "estes tratamentos não resultam em todos os pacientes ou, algumas vezes, resultam durante algum tempo e deixam de funcionar, por haver alguns cancros que mais difíceis de curar do que outros". Porém, garante o hospital, "estes problemas são o ponto de foco da investigação do cancro, que continua a ser feita". Sobre a quimioterapia, o centro garante que ela "mata células cancerígenas com uma eficácia surpreendente".

cancro

O Johns Hopkins dá ainda a certeza de que não há evidência científica sobre a capacidade de alguns alimentos alterarem o nível de células cancerígenas no organismo e de que as cirurgias não propagam, de todo, o cancro, para além de ressalvar que, quando se fala nesta doença, não importa se há, ou não, um sistema imunitário forte.

Por fim, há um dado ainda mais surpreendente sobre estas informações: o comunicado do hospital acerca das notícias falsas é datado de 2009. É verdade, dez anos depois, as revelações continuam a florescer, de forma enganosa, nas redes sociais. Talvez por ser um assunto tão delicado, que gera interesse e curiosidade na maior parte das pessoas, a desinformação encontra, nesta doença, um terreno fértil para se reproduzir.

Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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