O vídeo tem circulado no Facebook e no Twitter e mostra dois polícias a retirar um homem vivo de dentro de uma campa, num espaço em tudo semelhante a um cemitério. Ao longo da gravação, ouve-se o indivíduo resgatado a gemer e a dizer “ai, a perna”, ao mesmo tempo que os agentes vão respondendo “calma aí, senta, fica sentado”.

O vídeo tem sido acompanhado por legendas, tanto em português como em castelhano, com mais supostos detalhes relativos ao episódio: “Homem, em Feira de Santana (Bahia), teve uma parada cardíaca, os médicos falaram que foi coronavírus e ele foi enterrado vivo. Ele acordou e começou a gritar. O coveiro chamou a polícia”; “Enterraram vivo um homem que supostamente tinha morrido de coronavírus, a polícia ouviu-o gritar e foi resgatá-lo instantaneamente, numa altura em que os hospitais e serviços funerários não conseguem lidar com a pandemia de Covid-19”.

Será que o homem em causa, que teria morrido devido à Covid-19, foi mesmo enterrado vivo?

A resposta é não, tal como dá conta a Maldita.es, plataforma espanhola de verificação de factos.

Ainda assim, o vídeo é autêntico e o homem em causa estava realmente a ser resgatado do interior de uma campa, no cemitério de Tarauacá, estado do Acre, no Brasil. Porém, o episódio nada tem a ver com a pandemia, uma vez que aconteceu em janeiro de 2019, quase um ano antes de se falar do novo coronavírus em todo o mundo.

A explicação para estar dentro da campa também nada tem que ver com a sua morte. O protagonista do vídeo não conseguiu estar presente no funeral do pai e deslocou-se ao cemitério mais tarde. Com o objetivo de se despedir, removeu uma parte da pedra que cobre a sepultura e entrou para tentar chegar perto do pai. Quando procurou sair, não conseguiu e teve de ser retirado com a ajuda da polícia.

Esta não é a primeira vez que o vídeo em causa é usado para propagar desinformação. De acordo com o G1, o portal de notícias da televisão brasileira Globo, no ano passado, as imagens foram divulgadas com outra legenda falsa, dando conta de que o homem tinha sido sepultado vivo e ficado debaixo de terra durante 26 dias, até que alguém o ouvira gemer e resolvera chamar as autoridades para o salvar.

Em conclusão, é falso que, no Brasil, um homem foi enterrado vivo, após ser dado como morto na sequência da Covid-19. O indivíduo teve que ser resgatado do interior de uma campa, em janeiro de 2019, depois de lá ter entrado com o objetivo de se despedir do pai que tinha morrido há poucos dias.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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