"Houve um incêndio num edifício de quatro pisos, há alguns anos em França! Uma família de seis árabes vivia no 1º andar. Todos pereceram queimados. Uma família cigana de oito pessoas que vivia no 2º piso, também pereceu no fogo. Todos os 10 membros de uma família africana, que viva no 3º piso, também foram vitimados. Um casal de portugueses brancos que vivia no 4º andar, sobreviveu", descreve-se na publicação em causa, exibindo uma imagem do edifício em chamas.

"A Associação Muçulmana Árabe local exigiu saber porque sobreviveram os brancos, quando os demais pereceram. A Liga da Raça Negra insistiu para que se realizasse uma investigação pública. A Agência para os Refugiados e Minorias também insistiu que se levasse a cabo uma grande investigação policial sobre a atuação dos bombeiros", acrescenta-se.

E depois surge a conclusão da história. "Questionado sobre o assunto pelos repórteres, o chefe dos Bombeiros foi muito claro e explícito: os dois brancos que viviam no edifício sobreviveram porque tinham ido trabalhar".

Esta história que está a ser difundida nas redes sociais é autêntica?

Há elementos vagos na descrição - tais como "há alguns anos em França" - que dificultam a averiguação. Mas o facto é que não encontramos qualquer registo público desta história.

Pesquisando notícias sobre incêndios em França, mais especificamente em edifícios residenciais e envolvendo portugueses, ao longo das últimas décadas, encontramos apenas casos em que houve registo de vítimas mortais de nacionalidade portuguesa, não em que os únicos sobreviventes tenham sido "portugueses brancos".

Por outro lado, também não se confirma a existência de uma Associação Muçulmana Árabe, uma Liga da Raça Negra ou uma Agência para os Refugiados e Minorias, ou pelo menos não com estas denominações oficiais e sediadas em França.

De resto, a imagem que ilustra a publicação não retrata um incêndio ocorrido em França.

Na realidade, a imagem retrata um incêndio ocorrido no Edifício Joelma, em São Paulo, Brasil, no ano de 1974. E foi destacada, aliás, na capa da revista "Veja", edição de 6 de fevereiro desse ano.

"Ao todo, 188 pessoas morreram e cerca de 300 ficaram feridas em seis horas e meia de incêndio. Sem heliponto, o terraço do edifício, desta vez, não foi garantia de sobrevivência. Dezenas morreram no tecto do prédio devido ao calor e à fumaça. Mesmo assim, apesar das condições de salvamento difíceis, cerca de 100 pessoas foram retiradas do edifício por ali", descreveu a revista em artigo mais recente, de 2018, no qual recordou dois incêndios que devastaram dois grandes edifícios (o Joelma e o Andraus) no centro urbano de São Paulo, em 1972 e 1974, respetivamente.

Em conclusão, não há um único vestígio de autenticidade nesta história com mensagem grosseiramente racista que está a ser difundida nas redes sociais. Nem sequer a imagem corresponde a um qualquer incêndio ocorrido em França, ou a um edifício de apenas quatro pisos. É tudo falso.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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