Os hackers são conhecidos pela sua capacidade de descobrir e manipular informações, quase sempre através de meios pouco transparentes. E se dúvidas houvesse quanto ao poder destes “especialistas virtuais”, Rui Pinto veio “mostrar como se faz”. Conhecido como o "hacker do Benfica", foi o responsável por desvendar e divulgar milhares de e-mails suspeitos que, por sua vez, deram origem ao caso E-Toupeira, no qual são investigadas várias personalidades associadas ao mundo do desporto.

Não será de admirar que, à medida que crescem casos semelhantes pelo mundo, com hackers a assumir-se autores de revelações escandalosas, por norma com figuras públicas nos papéis principais, avisos como os que se segue sejam levados a sério (ou, pelo menos, encarados com a mínima seriedade):

“Aviso urgente a todos os utilizadores do Facebook! Amigos, tenham cuidado! Isto é sério! Hackers têm publicado vídeos e imagens sexuais nos vossos murais! Vocês não os conseguem ver, mas os vossos amigos sim, e parece que foram vocês a publicá-los. Se virem algo do género com o meu nome, por favor avisem-me porque ‘Eu não o publiquei!’. Partilhem isto para se protegerem e aos vossos amigos”, lê-se em algumas imagens recentemente divulgadas na rede social criada por Mark Zuckerberg.

Mas tudo não passa de desinformação. De acordo com o site de verificação de notícias Snopes, o "aviso urgente" tem já quase oito anos. De tempos em tempos, o alarme volta a tocar. Em 2013, o site unclenaira.com partilhou um aviso de texto exatamente igual ao agora identificado. Face à proliferação da falsidade, o site Hoax-Slayer fez questão de desmenti-la, voltando a divulgar um artigo publicado originalmente em 2011. Após citar vários exemplos, com variações do conteúdo do aviso, a conclusão foi óbvia: “Independentemente de quão especialistas sejam no Facebook, os hackers não conseguem simplesmente aceder a contas e partilhar insultos ou conteúdos sexuais” – muito menos sem que consigamos visualizá-los. Este acesso só poderá ser permitido na sequência de uma ação do próprio utilizador, como a instalação de uma aplicação pouco fidedigna, por exemplo.

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No mesmo ano, a própria NBC news fazia uma verificação de factos e concluía que estes não passavam de um rumor. “Nada faz a semana começar da melhor forma como os nossos amigos a gritar parvoíces no Facebook”, podia ler-se, logo no início do texto. Além de citar o site Snopes, falava ainda da Sophos Security, uma empresa de segurança informática, indicando que ambos não encontraram evidências de os hackers consigam impedir-nos de visualizar conteúdos partilhados, alegadamente, por nós mesmos.

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Dois meses após a publicação deste esclarecimento, a Sophos Security voltou a divulgar um novo texto, desta vez baseando-se em evidências de pessoas que tinham, de facto, identificado casos suspeitos. Imagens pornográficas – ou simplesmente violentas e perturbadoras - eram difundidas por utilizadores que não as conseguiam visualizar. “Vi uma imagem de pornografia gay sob o nome de uma amiga. Ela não a conseguia ver, mas todos os seus amigos sim”, disse um utilizador da rede social aos especialistas em segurança. E a conclusão não poderia ser outra: se, por um lado, nos dizem que os hackers ainda não têm a capacidade de publicar algo sem que o consigamos ver, e, ainda assim, há registos deste tipo, então a “bola” só pode estar do nosso lado. Há que prevenir e não aceitar os famosos “Termos e Condições” de qualquer aplicação ou programa sem pensar duas vezes.

De acordo com o Snopes, não foram registados casos recentes de publicações do género em murais do Facebook. E, se tal acontecesse, a verdade é que de nada valeria difundir o aviso ao máximo. Ainda assim, tendo em conta que uma ação menos calculada, ou uma autorização dada sem pensar, podem levar a que casos semelhantes ocorram, pelo menos para já, prevenir está nas nossas mãos. E todo o cuidado é pouco.

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