A posse do XXIII Governo, no dia 30 de março, ficou marcada pelo discurso do Presidente da República e não pelo do Primeiro-Ministro. Marcelo Rebelo de Sousa advertiu António Costa de que teria de cumprir o seu mandato até ao fim, não podendo sair a meio da legislatura:

“Deram a maioria absoluta a um partido, mas também a um homem: vossa excelência, senhor primeiro-ministro. Agora que ganhou, e ganhou por quatro anos e meio, tenho a certeza de que vossa excelência sabe que não será politicamente fácil que esse rosto, essa cara, que venceu de forma incontestável e notável as eleições, possa ser substituída por outra a meio do caminho."

Mas será que, ainda há menos de um ano, Marcelo Rebelo de Sousa levava a sério esta hipótese?

Em maio de 2021, o Presidente da República participou no programa Geometria Variável, da Antena 1, onde conversou com o painel fixo do programa - constituído pela moderadora, a jornalista Maria Flor Pedroso, e pelo ex-eurodeputado Carlos Coelho e o antigo ministro Nuno Severiano Teixeira.

A dado momento, entre os vários temas lançados, foi colocada a Marcelo Rebelo de Sousa a questão de que se receava que António Costa fosse “embora para a Europa”. Esta foi a resposta do Presidente da República: “Vai para a Europa como? Não sei como é que vai para a Europa. O primeiro-ministro está a pleitear, a defender um plano plurianual, tem repetido como é importante o cumprimento da legislatura, é fundamental a estabilidade e o cumprimento da legislatura também por razões europeias e, portanto, quer dizer, não vejo… todas as especulações podem ser feitas e imaginadas, mas essa aí parece uma especulação sem o mínimo de fundamento.”

“Vai para a Europa como? Não sei como é que vai para a Europa (…), todas as especulações podem ser feitas e imaginadas, mas essa aí parece uma especulação sem o mínimo de fundamento", afirmou Marcelo em  maio de 2021

É, pois, verdadeiro que Marcelo Rebelo de Sousa considerava há menos de um ano uma “especulação sem o mínimo de fundamento” a saída de António Costa para um cargo na União Europeia, hipótese que, indiretamente, referiu no seu discurso na cerimónia da tomada de posse do novo Governo. Entretanto, como se sabe, o contexto evoluiu e, no momento em que Marcelo discursou na tomada de posse do Executivo, os rumores de que António Costa se preparava para se candidatar a um cargo europeu a meio do mandato eram, de facto, muito insistentes.

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