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Há mais pediatras e obstetras do que em 2005, mas nasceram menos crianças em 2021? Sim, confirma-se

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Recente publicação difundida nas redes sociais dá conta de uma "curiosidade" acerta do "Inverno demográfico" em Portugal: apesar de haver mais pediatras e obstetras do que em 2005, no ano de 2021 nasceram menos quase 30 mil crianças. Os números estão corretos.

“Uma curiosidade e que cada um tire as conclusões que quiser! Em 2005, nasceram em Portugal 109.399 bebés e havia 1.418 obstetras e 1.434 pediatras. Em 2021, nasceram em Portugal 79.582 bebés e havia 1.861 obstetras e 2.297 pediatras“. Assim se contrasta num post que está a ser partilhado nas redes sociais desde há semanas, tendo suscitado dúvidas a leitores do Polígrafo que requereram uma verificação de factos.

Segundo os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), compilados na Pordata, o número de nados-vivos de mães residentes em Portugal tem vindo a baixar significativamente desde a década de 1960. Nessa altura, nasciam em média 200 mil crianças por ano, dando ao país uma taxa bruta de natalidade (nascimentos por mil residentes) de cerca de 24‰.

De facto, no que ao total de nados-vivos de mães residentes em Portugal em 2005 diz respeito, os números apontados na publicação não podiam ser mais precisos. Nesse ano, um dos mais férteis do novo século, registaram-se em Portugal 109.399 nados-vivos. Embora numa trajetória pouco consistente, é seguro dizer que, a partir desse ano, Portugal entrou num decréscimo de nascimentos, que é muitas vezes apelidado de “Inverno demográfico“.

Já em 2021 foram registados em Portugal 79.582 nados-vivos, um valor que é, mais uma vez de acordo com a série de dados do INE, o pior desde 1960. Resta saber se, embora este valor esteja a decrescer significativamente, o número de obstetras e de pediatras tem aumentado desde 2005.

De acordo com as séries estatísticas anuais disponibilizadas pela Ordem dos Médicos, contabilizava-se em 2005 um total de 1.418 médicos especialistas em ginecologia-obstetrícia. Destes, 808 eram mulheres e 610 eram homens. Entretanto, em 2021, além de o desequilíbrio entre médicas e médicos desta especialidade se ter tornado mais visível, também o número total se elevou de forma substancial. Eram, no ano passado, 1.861 os médicos de ginecologia-obstetrícia, 1.238 dos quais mulheres e apenas 623 homens.

Quanto aos pediatras, de um total de 1.434 profissionais desta área em 2005 (856 mulheres e 578 homens), Portugal passou a ter ao serviço 2.297 médicos pediatras (1.687 mulheres e 610 homens) no ano passado.

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