"No Santuário de Fátima o abate de animais é conhecido de muitos, mas ninguém ainda conseguiu parar esta crueldade." Inicia-se desta forma um artigo de 2016 que sugere que no Santuário de Fátima vários têm sido os animais abatidos nos últimos anos. A publicação voltou a circular durante esta semana, contando já com centenas de partilhas.

O texto prossegue: "As ordens partem da Reitoria do Santuário, para que todos os cães que aparecem por Fátima, quer sejam adultos ou cachorros, quer tenham donos ou não, são capturados pelos seguranças e colocados numa caixa. Caixa essa que está mesmo nas traseiras do santuário, no local das oficinas. Ali ficam os cães durante algumas semanas, ao frio e à chuva de Inverno, à chapa do sol, no Verão. Sem direito a comida ou água, num espaço mínimo onde a maioria nem se consegue colocar de pé..."

"Mais grave a situação se torna de algum tempo para cá, que os cães depois de serem colocados na caixa, desaparecem antes que a carrinha da Câmara os venha buscar, ou tenha conhecimento que eles lá estão. Pensamos que são abatidos por alguns trabalhadores do santuário, porque os cães ladram à noite e podem incomodar os turistas (...)", conclui-se.

Confirma-se? Verificação de factos. 

A informação tem vindo a ser propagada desde 2010 em vários blogs. Na altura em que a polémica se instalou foram feitas várias denúncias à GNR do local. O Santuário, num comunicado que data de 13 de julho de 2010, deu a conhecer o resultado do relatório da investigação.

santuario

"Com data de 7 de Julho de 2010, a Reitoria do Santuário de Fátima recebeu um documento da Guarda Nacional Republicana (...) com o relatório relativo a 'Queixas sobre maus tratos e abate ilegal de cães, na Freguesia de Fátima, Concelho de Ourém', o qual, 'em conclusão', refere que 'não foram descobertos nenhuns animais mortos, indícios de maus tratos ou actos que tipifiquem infracção'."

No mesmo texto adiantam que "devido a frequentes queixas sobre a presença de cães abandonados dentro da sua área, o Santuário de Fátima tem procedido à sua recolha, sendo eles posteriormente entregues no canil municipal de Ourém" e sublinham que não dão ordens que "contemplem maus tratos ou abate dos animais".

E conclui-se: "Por isso, a Reitoria do Santuário de Fátima rejeita aquelas acusações e esclarece que as imagens publicadas que possam indiciar maus tratos ou abate de cães não são reconhecidas como tendo sido fotografadas no Santuário de Fátima."

Através do Google Image Search, é possível encontrar a imagem dos cães enjaulados (que se assume como tendo sido tirada em Fátima) em vários sites de petições contra o abuso de animais, a maioria deles internacionais. Ou seja, a fotografia não foi tirada no Santuário.

Pontualmente, a informação volta a circular como se fosse verdadeira. Em 2016 foi novamente alvo de atenção por parte dos orgãos de comunicação social, o que obrigou o Santuário de Fátima a lançar novo comunicado: "O Santuário de Fátima rejeita liminarmente qualquer acusação de autoria material de maus tratos a animais e lamenta que esta campanha ponha em causa o bom nome da instituição, não enjeitando a possibilidade de recorrer à justiça para apurar responsabilidades sobre estas ações difamatórias."

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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