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Guarda Florestal da GNR ganha apenas 780 euros por mês, como diz Pedro Frazão?

Sociedade
O que está em causa?
O deputado do Chega recorreu a um recibo bastante específico para afirmar que os guardas florestais auferem menos do que o salário mínimo nacional (em termos líquidos). Mas não é verdade.
© Nuno André Ferreira/Lusa

Com um novo Governo na mira, o Chega já começou a apontar para vários setores que continuam à espera de medidas concretas, como o aumento dos salários. Esta terça-feira, os escolhidos foram os guardas florestais da GNR, que “levam para casa 778,93 euros ao fim do mês” e são “o orgão de Polícia Criminal mais mal pago em Portugal”. Para sustentar a afirmação, Pedro Frazão, autor do “tweet”, tornou público um recibo de vencimento do mês de abril em que, de um vencimento base de 1017,56 euros, o guarda levou para casa menos de 780 euros.

A partilha é, no mínimo, capciosa, uma vez que o próprio recibo revela que ao montante final foi subtraído, por algum motivo, o subsídio de refeição do mês de fevereiro de 2024, num total de 126 euros. Ou seja, o caso é demasiado específico para ser utilizado como fonte para a remuneração mensal dos guardas florestais que, num mês normal, para um guarda na mesma posição que aquele a quem pertence o recibo, rondaria os 905 euros líquidos.

De acordo com as tabelas sobre o sistema remuneratório da Administração Pública para 2024, divulgadas pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), um guarda florestal (nos Açores, na Madeira e no Continente) pode auferir entre os 869,84 euros e os 1385,99 euros mensais, dependendo do escalão em que está inserido. O salário de 1017 euros corresponde à quarta posição (na Madeira e nos Açores), Ao Polígrafo, a GNR confirma que “o montante salarial dos efetivos da carreira de Guarda Florestal varia consoante a categoria e posição remuneratória em que se encontram, bem como de acordo com a situação fiscal, abonos, suplementos e subsídios previstos na Lei”.

“Quanto aos valores descontados nos boletins de vencimento, os mesmos podem dizer respeito a várias circunstâncias, nomeadamente a períodos de ausência ao serviço ou outra situação em que exista a necessidade de acerto de valores”, completa a mesma fonte.

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Avaliação do Polígrafo:

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