"Eu sou um homem fora deste esquema político. Toda a minha vida não foi uma vida política até agora. Nunca tive nada a ver com a política. Sou um cidadão comum e como cidadão comum vim aqui até em busca de algumas respostas que aqueles que fazem do carreirismo político a sua vida me possam dar. (...) Aquilo que me moveu foi um convite. Nunca fui um carreirista político até hoje. Estou a iniciar-me agora. Comecei há uns meses a visitar a cidade de Lisboa", afirmou Nuno Graciano, numa tentativa de explicar qual é a estratégia do Chega para ter sucesso nas eleições autárquicas.

Em resposta, Manuela Gonzaga, a concorrer pelo PAN, foi peremptória: "Não aceito o termo carreirista. Política é uma atividade muito digna." Também Fernando Medina, presidente da autarquia lisboeta, se dirigiu ao candidato do Chega afirmando que "Nuno Graciano fez uma belíssima síntese do que é a sua participação no Chega. Não merece mais nenhum comentário".

Mas se, em noite de debate frente aos principais candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, Graciano garantiu que nunca teve "nada a ver com a política", não podendo por isso ser incluído no saco dos "carreiristas políticos", no discurso aquando da apresentação da sua candidatura à autarquia, a 16 de março, junto ao Padrão dos Descobrimentos, o ex-apresentador de programas televisivos tentou provar o contrário.

Fazendo uso do cargo que terá desempenhado como "presidente da associação académica" da Universidade Moderna, Graciano assegurou, à altura, que esteve sempre ligado à política. Mas, como agora se verifica, essa ligação à política estudantil e ao associativismo não se verificou.

Ao Polígrafo, em março deste ano, Graciano reiterou a assunção do cargo, dizendo que foi "presidente da associação de estudantes, logo no início da Universidade Moderna". Ainda assim, o antigo apresentador esclareceu que esta "associação" se tratava, à data, de "um núcleo preparatório do que foi mais tarde a associação de estudantes".

Sem documentos que comprovem o desempenho do cargo, Graciano assegurou ainda que, mais tarde, foi vice-presidente da associação académica. À revista "Sábado", Ricardo Vieira Machado, antigo presidente da organização estudantil da universidade, garantiu que o candidato à Câmara de Lisboa pelo Chega nunca exerceu o cargo de presidente, contrariamente ao que disse no dia do lançamento da campanha. Em vez disso "foi vice-presidente, (…) ele e mais 13 vice-presidentes", detalhou Vieira Machado.

Em suma, é verdade que Nuno Graciano disse, em março, na apresentação da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, que sempre esteve ligado à política. Depois de ser desmentido pelo antigo presidente da Associação de Estudantes da Universidade Moderna, e apenas seis meses depois das primeiras declarações, o candidato do Chega à capital mudou de ideias: afinal, nunca teve "nada a ver com a política".

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Avaliação do Polígrafo:

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