"A Inglaterra é um bom exemplo nesse sentido [faseamento]: tem um plano de desconfinamento que depende sempre da avaliação das medidas anteriores, fazem sempre depender a fase seguinte dos resultados da fase anterior, são muito cautelosos. Mas estão a pensar fazer eventos de massa a partir de 21 de junho. Vamos ter ali um laboratório que nos vai permitir perceber qual o impacto de espetáculos com muita gente em outros países", afirmou a diretora da Direção-Geral da Saúde, Graça Freitas, em entrevista a Vítor Gonçalves, esta quarta-feira à noite, dia 3 de março, na RTP.

"O governo inglês está a ser muito cauteloso com cada pacote de medidas que instala, dá cinco semanas para se passar para a etapa seguinte. Prevê-se no plano que as medidas são anunciadas uma semana antes, para que as pessoas se possam preparar e depois há 4 semanas de avaliação e só depois de ver o impacto desse pacote de medidas passa-se para o degrau seguinte”, explicou ainda.

As declarações da diretora da Direção-Geral da Saúde sobre o plano de desconfinamento do Reino Unido têm sustentação factual?

Boris Johnson apresentou a 22 de fevereiro o plano de reabertura do país (pode consultar aqui), afirmando ter esperança que este seja "uma estrada de um só sentido em direção à liberdade". O desconfinamento no Reino Unido teve início em março e prolongar-se-á até meados de junho com os vários setores da economia inglesa a "reabrir cautelosa e irreversivelmente", tal como referiu o líder britânico.

De facto, noticiou o jornal "The Guardian", o plano prevê a autorização progressiva de várias atividades com períodos de "espera" de algumas semanas entre cada permissão. A primeira etapa integra a reabertura das escolas e permite encontros sociais entre pequenos grupos de pessoas ao ar livre.

Durante a apresentação do plano o primeiro-ministro britânico afirmou que "a sequência será orientada em função dos dados, por isso, as atividades ao ar livre são priorizadas como a melhor forma de restaurar liberdades ao mesmo tempo que se minimiza o risco”.

No final de Março, quando terá início o período de férias escolares da Páscoa em Inglaterra, mais restrições serão levantadas. Passa a estar autorizada a realização de desportos ao ar livre, bem como as reuniões sociais de seis pessoas ou de dois agregados familiares ao ar livre. A 17 de maio quase todos os sectores económicos podem reabrir e os ingleses poderão voltar a fazer férias dentro do país.

Durante a apresentação do plano o primeiro-ministro britânico afirmou que "a sequência será orientada em função dos dados, por isso as atividades ao ar livre são priorizadas como a melhor forma de restaurar liberdades ao mesmo tempo que se minimiza o risco”.

Já em relação aos eventos de massa, estes já se encontram contemplados no plano de desconfinamento na quarta e última etapa, que decorrerá a partir de 21 de junho. O governo britânico prevê, a partir desta data, a possibilidade de reabrir discotecas, bares e levantar as restrições relacionadas com grandes eventos.

No entanto, tal como descrito no documento apresentado no final de fevereiro, esta última fase, tal como as anteriores, está dependente dos resultados do desconfinamento progressivo, bem como do "Programa de Pesquisa de Eventos e da revisão de medidas de distanciamento social".

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