Convidada do programa “Grande Entrevista” da RTP, Graça Freitas, diretora-geral da saúde, falou sobre os 12 meses que Portugal já viveu em pandemia e perspetivou o futuro: o plano de desconfinamento que será divulgado pelo Governo no dia 11 de março foi um dos temas abordados. 

“Falando agora em medidas, acho que é preferível ser cauteloso (...) Os países estão a fazê-lo com bastante cautela, todos. Alguns estão a avançar e a regredir, porque é preciso entender que estes desconfinamentos, nos outros países, também se estão a fazer de forma faseada. As pessoas não saem todas ao mesmo tempo, nem todas as atividades são abertas ao mesmo tempo”, começou por dizer.

“Há aqui um outro parâmetro muito importante: à medida que o desconfinamento se vai fazendo, tem que haver um número de dias, ou de semanas, suficientes para se perceber..."  A frase foi concluída pelo jornalista Vitor Gonçalves - “... que impacto é que ela vai ter”.

“Desconfinar uma fatia da população e um setor de atividade, ou vários setores, vai ter impacto nos números. Nos tais indicadores. Na incidência, na positividade, no R(t), nos internamentos…”, concluiu a responsável da Direção-Geral da Saúde.

Confirma-se que os outros países estão a aplicar ou planear desconfinamentos faseados?

No dia 22 de fevereiro, o governo do Reino Unido, liderado por Boris Johnson, apresentou um plano de desconfinamento, que prevê uma reabertura faseada em quatro etapas, tal como afirmou Graça Freitas. No parlamento, o primeiro-ministro britânico afirmou que “o fim está mesmo à vista” e que “um ano miserável dará lugar a uma Primavera e um Verão que será substancialmente diferente e incomparavelmente melhor que o cenário de hoje”.

No dia 22 de fevereiro, o governo do Reino Unido, liderado por Boris Johnson, apresentou um plano de desconfinamento, que prevê uma reabertura faseada em quatro etapas, tal como afirmou Graça Freitas. No parlamento, o primeiro-ministro britânico afirmou que “o fim está mesmo à vista” e que “um ano miserável dará lugar a uma Primavera e um Verão que será substancialmente diferente e incomparavelmente melhor que o cenário de hoje”.

A primeira fase decorrerá em dois momentos. A partir de 8 de março, além da reabertura de todas as escolas e atividades extra-curriculares, os britânicos também poderão, em grupos máximos de duas pessoas, recrear-se em espaços abertos, como parques. Estão permitidos encontros para tomar cafés ou uma bebida e a realização de piqueniques. As visitas aos lares, com restrições, também voltarão a acontecer.

Depois de 29 deste mês, estes encontros serão alargados para grupos de seis pessoas ou duas famílias. As instalações desportivas ao ar livre, como courts de ténis e campos de basquetebol, também serão abertas e as competições organizadas para adultos e crianças, como o futebol amador, serão retomadas. Além destas medidas, ainda será possível viajar para fora da área de residência.

A segunda etapa começará no dia 12 de abril, altura em que serão abertas lojas de retalho não essenciais e estabelecimentos que prestam cuidados de beleza. Ginásios, piscinas, alojamentos de férias auto-suficientes e parques de campismo também ficam disponíveis.

A 17 de maio inicia-se a terceira etapa. Duas famílias ou grupos de seis pessoas poderão encontrar-se em espaços fechados, como cafés. Os cinemas, museus, hotéis, espetáculos e eventos desportivos voltam a ter público, ainda que com distanciamento social, e até 10 mil espectadores vão poder assistir a eventos em locais de grandes dimensões ao ar livre, como estádios de futebol.

A última etapa está marcada para 21 de junho e está previsto que se removam todas as limitações legais ao contacto social e a reabertura dos restantes setores da economia. Haverá um intervalo de pelo menos cinco semanas entre cada passo, de forma a que se possa avaliar o impacto das mudanças e, se necessário, proceder a alterações nos planos.

Haverá um intervalo de pelo menos cinco semanas entre cada passo, de forma a que se possa avaliar o impacto das mudanças e, se necessário, proceder a alterações nos planos.

A 21 de fevereiro, Israel também deu mais um passo para o desconfinamento. Nesse dia, retomou-se o comércio de rua, mercados ao ar livre, centros comerciais, bibliotecas e museus, ainda que com regras restritivas, e grande parte dos alunos em zonas com índices de baixa mortalidade voltaram à escola. Esta é a segunda fase de desconfinamento e a terceira fase começa já no próximo domingo, com a reabertura de cafés e restaurantes e o retorno dos restantes alunos às escolas.

Esta quarta-feira, Angela Merkel, chanceler alemã, aceitou um levantamento progressivo das restrições para conter a Covid-19, considerando que agora se “pode falar de esperança”. As reuniões privadas entre duas famílias e um máximo de cinco pessoas vão ser autorizadas a partir de segunda-feira, 8 de março. Livrarias, floristas e escolas de condução também poderão voltar a abrir. Ainda assim, a maioria das restrições vão ser prolongadas até 28 de março.

O plano alemão terá cinco etapas de relaxamento das restrições e estas serão implementadas a cada 15 dias, desde que os números de infeção estejam estáveis ou a descer. Na melhor das hipóteses, o quinto passo será dado a 5 de abril - e prevê o fim das restrições na prática desportiva e a abertura de lojas que ainda estejam encerradas. Nas fases anteriores, abrirão os espetáculos culturais e restaurantes ao ar livre. Contudo, o plano é bastante mais comedido do que o britânico.

Avaliação do Polígrafo:

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