"Fui ver e é verdade, como podem ver no link abaixo. Acho que me vou dedicar ao fabrico de mastros para bandeiras", comenta-se no post em causa, remetendo para um suposto contrato por ajuste direto registado no portal Base.

Além de uma imagem do mastro já instalado e com uma bandeira da Região Autónoma da Madeira (RAM) na Quinta Vigia, Funchal, residência oficial do presidente do Governo da RAM, Miguel Albuquerque, exibem-se também os detalhes do contrato, nomeadamente o preço contratual (10.290 euros) e o objeto: "Procedimento por ajuste direto (regime geral) para a aquisição de um mastro para a bandeira na Quinta Vigia".

O Polígrafo consultou o portal Base e verificou que a alegação do post é verdadeira. De facto, no dia 14 de abril de 2021, a Presidência do Governo da RAM firmou um contrato por ajuste direto com a empresa FloraRam, no valor de 10.290 euros, visando a a "aquisição de um mastro para a bandeira na Quinta Vigia". Não detectamos qualquer dado modificado ou adulterado no post em relação ao disposto no contrato.

A FloraRam, empresa adjudicatária, dedica-se à agricultura, floricultura, silvicultura e jardinagem, entre outras atividades. Consultando a lista de contratos em que surge como adjudicatária no portal Base verificamos que é a primeira vez que fornece um mastro para bandeira a uma entidade pública.

Por outro lado, o Polígrafo analisou outros contratos para a aquisição de mastros (adjudicados a outras empresas) e todos apresentavam valores muitos inferiores ao do contrato firmado pelo Governo da RAM. Nesse sentido contactou também duas empresas para obter estimativas de preços referentes a um mastro do mesmo porte.

Bárbara Magalhães, responsável pela empresa BDR - Bandeiras e Mastros, indicou ao Polígrafo uma estimativa do preço para um mastro de 10 metros. "Se for um mastro de bandeira de fibra de vidro (que são os mais caros), ficaria por 320 euros. Com o transporte, imaginemos do Porto para Lisboa, rondará os 600 euros". Esta empresa não trabalha com madeira, pois "é um material que se estraga muito mais facilmente", em comparação com os outros materiais que utiliza.

"O mastro mais caro que já vendemos, feito por encomenda e de 18 metros, com anti-roubo, custou 4.000 euros", conclui Magalhães.

Por sua vez, António Pinho, funcionário da empresa Casa das Bandeiras, deixa a mesma garantia: "Não trabalhamos com madeira. Já não se usa. Aliás, estamos a substituí-los em todo o lado porque já estão podres. A madeira com a água, chuva e vento vai-se degradando. E há até o perigo de se partirem". Em relação ao preço para um mastro de 10 metros de fibra de vidro indica o mesmo número que a empresa anterior: 320 euros (mais IVA).

Tanto a empresa FloraRam como o gabinete da Presidência do Governo da RAM não responderam em tempo útil às questões endereçadas pelo Polígrafo.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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