O alerta é feito através de um longo texto que tem sido partilhado na rede social WhatsApp nos últimos dias: "O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, chamou o Primeiro-Ministro, António Costa, e pediu, num tom agressivo, explicações sobre o que se está a passar com o Governo, quando encoraja a produção de notícias contra as autoridades angolanas e tem os seus membros em conversinhas com jornalistas que mais não fazem senão manchar a imagem do Governo angolano."

O parágrafo introdutório insinua, assim, que António Costa orquestra uma campanha para descredibilizar o Executivo de Luanda. Ainda de acordo com a mensagem, Primeiro-Ministro e Governo parecem não estar sozinhos na suposta “cilada”, que contaria também com a ajuda da oposição: “O presidente português também convocou os responsáveis dos partidos PSD e CDS-PP. Consta que da conversa saiu uma tremenda reprimenda, com Marcelo a perguntar o que queriam, por que estavam na vanguarda da produção de notícias contra Angola.”

Mais abaixo no texto é definido de forma clara o objetivo da alegada campanha de difamação: “Existe uma aposta forte em tornar a vida cara a João Lourenço desde que se mostrou determinado em recuperar o dinheiro enviado ilicitamente a Portugal.”

angola

O texto dá como certo que há vários jornalistas envolvidos no "golpe", que terá como meta final a subida da UNITA (partido político angolano rival do MPLA de João Lourenço) ao poder. O autor - que o Polígrafo não conseguiu identificar - esclarece também que o “plano” só não foi mais longe porque foi entretanto descoberto por Marcelo Rebelo de Sousa, que “pediu para que se pare tudo o que está a ser feito para derrubar o presidente João Lourenço e o seu governo”.

Será que a teoria tem algum reflexo na realidade?

No âmbito do trabalho de verificação de factos, o Polígrafo não analisa as profusas opiniões constantes do texto, por natureza subjectivas e, por isso, não verificáveis. Porém, se nos detivermos apenas na matéria factual, parece evidente que o texto assenta em pressupostos incorretos.

Em primeiro lugar, a mensagem apresenta as principais características de uma notícia falsa: tem poucos factos concretos, não cita fontes confiáveis de informação nem refere quando terá começado o ataque de Portugal a Angola ou em que momento terá Marcelo Rebelo de Sousa convocado Primeiro-Ministro e partidos da oposição para repreender quem iniciou e quem alimentou a suposta campanha contra o homólogo João Lourenço.

O CDS nega, ao Polígrafo, que algum dos seus responsáveis tenha colaborado no esquema em causa – e desmente que alguma vez tenha sido repreendido pelo Presidente da República a esse respeito: “A mensagem que tem circulado no WhatsApp e que envolve o CDS, dando a entender que o Governo português, em conjunto com vários jornalistas, orquestrou uma campanha para lançar notícias que descredibilizam o presidente de Angola, João Lourenço, inclusivamente com a cooperação do CDS, é falsa.”

Além disso, uma consulta ao portal da Presidência da República permite concluir que a última vez que Marcelo se reuniu oficialmente com os grupos parlamentares foi a 22 de julho, mas a propósito do final da sessão legislativa de 2019/2020. Na ocasião, nenhum assunto relacionado com Angola foi abordado.

O Polígrafo contactou a Presidência da República, a quem remeteu o texto entretanto tornado viral. Numa nota oficial, o gabinete de Marcelo Rebelo de Sousa não deixa lugar a dúvidas: “A Presidência da República desmente estas notícias e desconhece em absoluto o assunto.”

Já a título individual, o Presidente da República encontrou-se com o CDS no Palácio de Belém pela última vez no dia 22 de junho. De acordo com uma nota da Presidência, nessa reunião foi “abordada a situação sanitária, económica, social e política, designadamente do Programa de Estabilização Económica e Social e do Orçamento Suplementar para 2020”. Da mesma maneira, o encontro mais recente entre Presidente e PSD teve lugar a 23 de junho. Em cima da mesa estiveram exatamente as mesmas questões. 

O Polígrafo contactou a Presidência da República, a quem remeteu o texto entretanto tornado viral. Numa nota oficial, o gabinete de Marcelo Rebelo de Sousa não deixa lugar a dúvidas: “A Presidência da República desmente estas notícias e desconhece em absoluto o assunto.”

O PSD garantiu ao Polígrafo que todas as alegações do texto, desconhecido pelo partido até agora, não têm correspondência com a realidade.

Também o CDS nega, ao Polígrafo, que algum dos seus responsáveis tenha colaborado no esquema em causa – e desmente que alguma vez tenha sido repreendido pelo Presidente da República a esse respeito: “A mensagem que tem circulado no WhatsApp e que envolve o CDS, dando a entender que o Governo português, em conjunto com vários jornalistas, orquestrou uma campanha para lançar notícias que descredibilizam o Presidente de Angola, João Lourenço, inclusivamente com a cooperação do CDS, é falsa.”

O PSD, por seu lado, garantiu ao Polígrafo que todas as alegações do texto, desconhecido pelo partido até agora, não têm correspondência com a realidade.

Também contactado pelo Polígrafo, o gabinete do Primeiro-Ministro preferiu não fazer comentários.

Avaliação do Polígrafo:

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