“Para os incêndios florestais, que não são em Lisboa, zero dias de luto. Para Lisboa, em que o elevador descarrila, um dia de luto. Dualidades”, aponta-se num “tweet” publicado esta quarta-feira (3 de setembro). Em resposta à acusação, há quem lembre que existe sim uma dualidade, mas não de critérios: “Morreram 15 pessoas. É uma tragédia sem precedentes.” Logo depois, compara-se este número de mortos – entretanto atualizado – com o total de vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande, em 2017. Mas será que também nesse ano não foi declarado luto nacional?
Não. Apesar de na sequência dos incêndios deste verão – que provocaram um morto – não ter sido declarado luto nacional, o Governo foi constante nesse aspeto nas principais tragédias com incêndios florestais em Portugal nos últimos anos. Desde logo em junho de 2017, no incêndio de Pedrógão Grande, que causou 66 mortos e mais de 200 feridos. Foi uma das maiores tragédias da história recente do país. No dia seguinte ao deflagar do fogo, 17 de junho, o Governo decretou três dias de luto nacional, entre 18 e 20 de junho.
Menos de quatro meses depois, em outubro de 2017, novos incêndios devastaram o centro e norte do país e provocaram 51 mortes. O Governo voltou a decretar três dias de luto nacional, entre 17 e 19 de outubro. Mas há mais: o decreto n.º 27-A/2017, de 17 de agosto, por exemplo, declara luto nacional de um dia pelas 13 vítimas da queda de uma árvore na Região Autónoma da Madeira
Em suma, a alegação de que o Governo só declara luto nacional por tragédias em Lisboa não corresponde à verdade, muito menos quando estão em causa os incêndios florestais.
_______________________________
Avaliação do Polígrafo


