“O novo Adido Principal para a área económica da embaixada de Portugal em Washington, que vai promover as relações de negócios entre Portugal e os Estados Unidos nesta nova fase de Administração Biden, é o filho de Lacerda Machado, o compadre do António Costa. Francisco Lacerda Machado não tem currículo, nem experiência. Mas é o filho do compadre que vai representar-nos nesta nova fase de vida dos EUA”, escreveu Paulo Morais, em publicação no Facebook (datada de 8 de novembro) que já acumula mais de 800 partilhas.

Paulo Morais

É verdade que o novo Adido Principal para a área económica da embaixada de Portugal em Washington D.C. é filho de um amigo de António Costa? 

Sim. Em resposta ao Polígrafo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirma que “a nomeação do Dr. Francisco Lacerda Machado para o cargo de Adido Técnico Principal para a área económica na embaixada em Washington corre os seus trâmites”.

Francisco Lacerda Machado, com 33 anos de idade e licenciado em Ciência Política pela Universidade Católica Portuguesa, é filho de Diogo Lacerda Machado, administrador não-executivo da TAP, amigo de longa data de António Costa e, aliás, padrinho de casamento do primeiro-ministro.

Liderado por Augusto Santos Silva, o MNE justifica a nomeação salientando que “Francisco Lacerda Machado desempenha funções no domínio da diplomacia económica no MNE, com enfoque nas relações económicas e empresariais com os EUA, desde 2015”. Também destaca que Francisco Lacerda Machado “foi o melhor aluno do seu ano”, quando terminou a licenciatura, “e teve experiências profissionais nas missões permanentes de Portugal em Nova Iorque e em Viena”. De resto,“trata-se de uma substituição do anterior adido, que entretanto terminou a sua comissão”.

Mesmo perante a justificação do MNE, Paulo Morais sublinha em declarações ao Polígrafo que não entende a escolha, uma vez que “Francisco Lacerda Machado não é diplomata, não é uma pessoa com experiência em negócios internacionais, não é um académico da área da economia internacional que tenha estudado muito a matéria e, portanto, não tem objetivamente competências para assumir o posto de assessor económico da embaixada portuguesa em Washington”.

“Estamos a falar mesmo de padrinhos, no sentido literal da palavra, é nepotismo indireto e é até parolo. Os atores americanos que queiram ter conhecimento de eventuais projetos e futuras relações económicas com Portugal, quando chegarem à conclusão de que quem representa o país relativamente a esta matéria é o filho do compadre do primeiro-ministro, vão achar que Portugal é um país de terceiro mundo”, critica.

Em suma, é verdade que o Governo nomeou o filho de um amigo de António Costa para assessor (ou Adido Técnico Principal para a área económica, mais especificamente) da embaixada de Portugal em Washington D.C., nos EUA. A nomeação ainda não foi publicada em “Diário da República”, mas “corre os seus trâmites”, segundo confirmou o MNE ao Polígrafo.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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