“Acabou a pandemia no Japão com Ivermectina. Por uma vez, santo de casa fez milagres, já que a Ivermectina é japonesa. Foi demorado para ser reconhecida em sua própria casa. Mas de uma cultura voltada para soluções, eu podia esperar isso”, pode ler-se num tweet partilhado no dia 16 de janeiro. Como é que este boato começou?

De acordo com a Agence France-Presse (AFP), em finais de dezembro, circularam online, na Coreia do Sul, várias publicações apoiadas por um gráfico, onde se alegava que o Japão tinha “declarado o fim da Covid”. Os posts foram partilhados numa altura em que as infeções por coronavírus na Coreia do Sul aumentavam, enquanto o vizinho Japão assistia a uma diminuição dos casos.

“O Japão com uma população de 140 milhões de habitantes declarou o fim da Covid-19”, lê-se nesta publicação em coreano, partilhada no Facebook a 28 de Dezembro.

O gráfico de casos diários de Covid-19 registados no Japão é autêntico e corresponde aos dados da Universidade Johns Hopkins, disponibilizados através de uma pesquisa rápida no Google por “casos de Covid-19 no Japão”. A imagem mostra que os casos no Japão caíram para 163 no dia 27 de dezembro, depois de terem aumentado para mais de 25 mil no final de agosto.

Por outro lado, ao contrário do Japão, as infeções diárias na Coreia do Sul atingiram um recorde de quase 8.000 casos no dia 15 de dezembro. Os números diários levaram o governo coreano a impor restrições de mobilidade mais apertadas até meados de janeiro.

As autoridades japonesas estavam confiantes que o número de casos ia permanecer baixo?

Não, pelo contrário. Apesar do baixo número de infeções em dezembro, as autoridades japonesas avisaram que poderia haver um aumento de novos casos após as férias e casos suspeitos da variante Ómicron. O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, instou o país, a 29 de dezembro, a continuar a usar máscaras, lavar as mãos frequentemente e tomar outras medidas anti-infecciosas. "[O governo japonês] ao mesmo tempo que simula o pior cenário de um aumento das infeções no Japão, está a fazer o seu melhor para avançar com os planos de fornecimento de vacinas, o aumento dos testes PCR gratuitos e o fornecimento de medicamentos", disse Kishida.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, também pediu aos residentes, a 27 de dezembro, para “evitarem horas de trabalho e lugares movimentados, usarem corretamente uma máscara e absterem-se de falar em voz alta”. Ela disse que as pessoas deveriam “abrir regularmente janelas mesmo no Inverno frio” e acrescentou que as medidas básicas contra doenças infecciosas são “eficazes” contra a Ómicron.

O que se temia aconteceu mesmo. Na quinta-feira, dia 19 de janeiro, o país registou mais de 41 mil novos casos.

Ainda em relação à publicação partilhada em coreano, há outra afirmação enganadora. O texto refere que o Japão tem “uma população de 140 milhões" mas, no dia 1 de dezembro, a população do país era de 125.470 milhões de habitantes, segundo o Instituto de Estatística do Japão.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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