"Foram 74 mil euros que o Governo gastou para mudar o símbolo, a imagem institucional e vocês dirão: 'Eh! Pá, é muita massa', mas reconheçam lá, quem de vocês teria mau gosto suficiente para fazer uma obra destas? Ah! Pois é", destaca-se num "tweet" publicado ao início da tarde de ontem.

"Vêem porque é que o Escária escondeu 75.800 euros em livros? Eu faria igual", conclui ainda o autor do "tweet", que conta já com mais de 70 mil visualizações.

A comparação entre a nova imagem - que conta com dois retângulos, um verde e o outro vermelho, separados por um círculo amarelo - e a antiga que é composta pelas cores da bandeira nacional com a esfera armilar, os sete castelos e as cinco quinas, motivou vários comentários, mas só o preço é novidade: afinal, o novo logótipo está há meses nas plataformas digitais do Governo.

A 23 de novembro de 2022 foi, de facto, publicado no Portal Basecontrato entre o Estado Português e o adjudicatário Studio Eduardo Aires, adjudicado através de consulta prévia - um procedimento de contratação pública em que a entidade adjudicante convida diretamente, pelo menos, três entidades à sua escolha - no "preço máximo" de 74 mil euros acrescido de IVA à taxa legal em vigor.

No Manual de Aplicação da Identidade Visual do Governo, justifica-se que "o que se propõe não constitui o redesenho da bandeira, instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910 e devidamente consagrada na Constituição da República
Portuguesa como símbolo de soberania, independência, unidade e integridade".

De acordo com este documento, este é "um símbolo novo e distinto, representativo do Governo da República Portuguesa" que se traduz numa imagem "inclusiva, plural e laica".

O Polígrafo questionou o gabinete do Primeiro-Ministro, que indicou que, das três entidades consultadas, Eduardo Aires tinha "o preço mais baixo" e a "equipa mais qualificada, integrando especialistas reconhecidos em várias áreas da comunicação visual, e um portefólio de trabalhos notáveis".

Quanto ao preço contratual, o gabinete argumenta que "o valor não só não é elevado como está muito longe dos preços de mercado" tendo em conta o caderno de encargos do procedimento.

Este "incluiu a conceção de um programa de identidade visual e respetiva arquitetura; o desenho da marca e do logotipo, assim como das suas variantes e declinações; a criação de um Livro de Normas para a aplicação do programa visual; e a aplicação num conjunto de materiais" que possuem tanto aplicação física como digital.

Ao Polígrafo, o gabinete do Primeiro-Ministro justifica ainda que esta nova identidade visual substitui uma imagem criada há 12 anos "que apresentava várias fragilidades, especialmente na aplicação em plataformas digitais". Em causa a "complexidade do modelo antigo (soma de muitas cores e detalhes simbólicos)", que "criava vários problemas práticos, tanto de legibilidade em formatos impressos mais pequenos como – a razão mais importante –, limitava em absoluto as possibilidades de animação e movimento que caracterizam o meio digital dos dias de hoje".

O gabinete conclui que a imagem escolhida "é mais operativa e funcional" e que "preserva a bandeira nacional enquanto símbolo de Portugal".

_______________________________

Nota Editorial: Artigo atualizado às 10h50 para corrigir informação sobre a data em que foi publicado o contrato: 23 de novembro de 2022 e não deste ano, como poderia sugerir o superlead. 

_______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.