"O Governo do Reino Unido admite que as vacinas danificaram o sistema imunitário natural do vacinado! O Governo britânico revelou o facto de que, uma vez que você receba uma injeção dupla, nunca mais poderá adquirir imunidade natural total contra as variantes do Covid-19 - ou possivelmente qualquer vírus. Então, vamos ver a pandemia 'real' começar", lê-se no post de 22 de dezembro de 2021, que tem sido partilhado no Facebook ao longo das últimas semanas.

A suposta "prova" é o "'Relatório de Vigilância da Vacina Covid-19' da Semana 42", da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido que, "na página 23" do documento, "admitiu que 'os níveis de anticorpos N parecem ser mais baixos em pessoas que adquirem infeção após duas doses de vacinação'. Isso explica que esta queda de anticorpos é basicamente permanente. Sabemos que as vacinas não impedem a infeção ou a transmissão do vírus (na verdade, o relatório mostra noutro lugar que os adultos vacinados, neste momento estão sendo infetados em taxas muito maiores do que os não vacinados)".

"O que os britânicos estão dizendo é que descobriram que a vacina interfere na capacidade inata do seu corpo, após a infeção, de produzir anticorpos não apenas contra a proteína spike, mas também contra outras partes do vírus", acrescenta-se.

Estas alegações têm algum fundamento?

No post indica-se uma hiperligação para o referido documento. De facto, semanalmente, a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) emite um "Relatório de Vigilância da Vacina Covid-19". O "Relatório da Semana 42" foi publicado em outubro de 2021.

Na página 23 do documento são analisados dados relativos à soropositividade, ou seja, a proporção de pessoas com determinados anticorpos detectados no sangue.

Tal como explica a plataforma de fact-checking da AFP, baseando em esclarecimentos da UKHSA, essa parte do relatório focou-se na análise dos anticorpos N, que são produzidos pelo organismo em caso de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, e dos anticorpos S, que se desenvolvem em caso de infeção (ou após um individuo receber a vacina contra a Covid-19) e têm como alvo a proteína spike.

Ora, os dados indicam que a taxa de anticorpos N registada foi mais fraca no caso de pessoas vacinadas. No entanto, a UKHSA ressalva que isso "é o esperado" e sublinha que a vacinação pode limitar formas graves da Covid-19, uma vez que que um infetado que esteja vacinado pode ter uma taxa de anticorpos N mais baixa por causa de uma infeção menos grave.

Em relatórios posteriores, como o que foi publicado no dia 13 de janeiro de 2022, a UKHSA apresentou uma explicação adicional sobre estes dados: "O facto de indivíduos com infeções pós-vacinais apresentarem níveis mais baixos de anticorpos N do que aqueles que tiveram uma infeção primária provavelmente reflete o facto de as infecções dos primeiros pacientes terem sido mais curtas e leves".

Também contactado pela AFP, Daniel Sauter, professor do Instituto de Virologia Médica e Epidemiologia de Doenças Virais da Clínica Universitária de Tübingen, na Alemanha, explicou que o fenómeno descrito é não só "previsível", como pode demonstrar que as pessoas vacinadas são menos afetadas por formas graves do corovírus.

"A menor taxa de anticorpos N, por si só, não nos permite concluir que o sistema imunológico está danificado", assegurou o especialista. "Pelo contrário, as taxas mais baixas de anticorpos N em pessoas vacinadas do que em pessoas infectadas e não vacinadas indicam que o seu sistema imunológico está a funcionar e que foi capaz de montar uma resposta imune eficaz contra a proteína spike, respondendo à vacinação", concluiu Sauter.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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