"Cá por Lisboa continuamos expectantes com o que se vai passar com as ciclovias pop-up mal feitas da dinastia medinista. No Funchal já começaram a tomar medidas. É certo que são só 500 metros, mas já é alguma coisa com impacto na qualidade de vida da maioria da população", lê-se num post no Facebook, partilhado a 30 de outubro.

Na mesma publicação é possível ler ainda que a Câmara Municipal do Funchal "vai eliminar 500 metros de ciclovia à entrada da cidade, uma obra executada pela anterior vereação, devolvendo a faixa de rodagem à circulação automóvel”. Confirma-se?

Sim. Fonte do Gabinete da Presidência da Câmara Municipal do Funchal, que confirmou a reformulação dos 500 metros de ciclovia entre a Ponte do Ribeiro Seco e o Hotel Cliff Bay. O plano de restruturação prevê a substituição da ciclovia por uma faixa prioritária BUS, que dê prioridade à circulação de viaturas de emergência, transportes públicos e veículos profissionais de transporte de passageiros.

As razões que levaram à remoção da ciclovia são, segundo a mesma fonte, “muito evidentes". "Aquele traçado de ciclovia foi mal projetado, estrangulando as faixas rodoviárias numa das entradas e saídas mais importantes e movimentadas da cidade, com a particularidade de em horas de maior congestionamento impedir o acesso a viaturas de socorro ou emergência", explica.

Além disso, “naquela zona oeste da cidade uma das mais importantes do ponto de vista turístico, dado o número de hotéis ali existentes, e em que o plano de urbanização prevê que fixem residência mais de quatro mil pessoas nos próximos cinco anos, não é de todo aceitável estarmos a criar mais barreiras à mobilidade rodoviária e à pronta intervenção de socorro, sem antes estudar e encontrar outras alternativas.”

De acordo com a Câmara Municipal, este traçado de ciclovia “surgiu isolado, sem qualquer outro projeto de continuidade e, muito raramente, é utilizado por ciclistas”. Desta forma, a nova vereação da Câmara Municipal do Funchal, presidida por Pedro Calado, irá proceder à restruturação da ciclovia no início do próximo ano e “será mantida a largura dos passeios para favorecer a circulação pedonal.”

A obra foi executada pelo anterior executivo camarário, liderado pela coligação Confiança (PS/BE/PDR/Nós, Cidadãos!), no âmbito de um projeto orçado em 1,2 milhões de euros, financiado em cerca de 900 mil euros por fundos comunitários, para o prolongamento da ciclovia na Estrada Monumental, artéria que percorre a zona com maior concentração de hotéis.

Atualmente, existem dois troços de ciclovia operacionais e o projeto da anterior vereação visava criar outros dois: um, já concluído, atravessa a ponte do Ribeiro Seco; outro, ainda em construção, decorre junto ao Fórum Madeira, na Ajuda.

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Nota editorial 1: o título deste artigo foi alterado às 12h38m, depois de um leitor nos ter contactado a alertar-nos para o facto de haver uma desconformidade entre o título do fact-check e o seu conteúdo: no título mencionava-se o Governo do Funchal como sendo o autor da ideia de remoção de uma ciclovia, enquanto o texto fora escrito na perspetiva de ter sido a autarquia do Funchal. De facto, o texto estava correto, tendo-se registado um erro no título. Pelo lapso, as nossas desculpas.

Nota editorial 2: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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