A publicação em causa tem origem na página "Portugal Glorioso", na qual é recorrente a difusão de citações atribuídas a Paulo Morais, ex-candidato à Presidência da República e atual presidente da Associação Frente Cívica. E começa por transcrever parte de uma recente notícia do "Jornal Económico", com o seguinte título: "Governo cria grupo de trabalho para definir estratégia de combate à corrupção".

"O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a criação de um grupo de trabalho destinado a definir uma estratégia nacional, global e integrada de combate à corrupção. A equipa terá a dependência directa da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, e deve trabalhar no sentido de estabelecer metas de prevenção e repressão, envolvendo a participação de diferentes entidades e profissionais", lê-se na transcrição.

Depois surge a citação de Paulo Morais. "Informem por favor o Governo: este grupo já existe! Chama-se Conselho de Prevenção da Corrupção, competências iguais às que ora se anunciam, tem membros nomeados pelo Governo, existe há anos e produz pouco ou nada. É natural que o Governo desconheça a sua existência", ironiza.

Vários utilizadores do Facebook denunciaram este conteúdo como sendo falso ou enganador. Confirma-se?

De facto, o Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) existe mesmo, tendo sido criado em 2008 (Lei Nº54/2008), por iniciativa do Governo liderado pelo então primeiro-ministro José Sócrates, entretanto acusado precisamente de crimes de corrupção passiva de titular de cargo político (3), branqueamento de capitais (16), falsificação de documento (9) e fraude fiscal qualificada (3), no âmbito da denominada "Operação Marquês".

No entanto, as atribuições e competências do CPC não incluem a definição de uma "estratégia nacional, global e integrada de combate à corrupção", principal objetivo do futuro grupo de trabalho anunciado pelo Governo.

Por outro lado, quanto ao estabelecimento de "metas de prevenção e repressão, envolvendo a participação de diferentes entidades e profissionais", nesse âmbito já se verifica uma sobreposição com as atribuições e competências do CPC que está a funcionar desde 2008.

Importa contudo ressalvar que a informação disponível sobre o futuro grupo de trabalho ainda é escassa, nomeadamente em relação aos seus objetivos e competências, pelo que não podemos concluir com certeza se vai ou não sobrepor-se ao CPC, duplicar funções ou ser imbuído de "competências iguais".

Pelo que optamos pela classificação intermédia de "Impreciso".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Misto: as alegações do conteúdo são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou incompleta.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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