O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Governo avançou com a compra de caças F-35 para a Força Aérea Portuguesa?

Política
O que está em causa?
Numa publicação feita no Threads adverte-se que "Portugal está completamente decadente" mas, apesar disso, o Governo decidiu "avançar com a compra de caças F35". Confirma-se?
© EPA / Ali Haider

“Portanto, Portugal está completamente decadente, o povo farta-se de trabalhar e reclamar, os jovens não conseguem começar as suas vidas, os profissionais não param de pensar em emigrar, e o Governo decide avançar com a compra de caças F-35 para a FAP [Força Aérea Portuguesa]”, destaca-se numa publicação de 8 de maio no Threads, para depois questionar: “Por que raio é que precisamos de caças de quinta geração?”

Sem referir qualquer fonte de informação, o post motivou uma série de comentários em que se levanta a hipótese de esta aquisição ser “provavelmente uma exigência da NATO por causa da dimensão da nossa Zona Económica Exclusiva” e que será uma “transição de 20 anos”. Aponta-se ainda que “muitos membros europeus da NATO estão a optar pelo F-35 como caça standard” e o objetivo será “estarmos alinhados”.

Mas confirma-se que o Governo de Portugal decidiu comprar estes novos caças?

Não identificamos qualquer comunicado oficial ou notícia que confirme essa decisão do atual Executivo liderado por Luís Montenegro, nem pelo anterior Executivo liderado por António Costa, caso esta fosse uma decisão prévia às eleições legislativas de 10 de março.

No entanto, na primeira entrevista em dois anos dada pelo Chefe de Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General João Cartaxo Alves, ao jornal “Diário de Notícias” e rádio TSF, no dia 12 de abril, a aquisição dos caça F-35 foi abordada. Questionado sobre se Portugal seria “dador de aeronaves” – como outros países onde agora se está a fazer treino de pilotos ucranianos -, o general indicou que não, “porque estes países transitaram do F-16 para o F-35” e “nós ainda não“.

Desafiado a fazer um balanço “dos altos e baixos deste período de liderança na Força Aérea”, o CEMFA destacou “o processo fundamental de transição para o F-35” que “é algo que está a decorrer, mas não é num dia que se faz”.

“Esse processo já começou. Tivemos aqui um workshop com a Lockheed e com a Força Aérea dos EUA para nos capacitarmos também do que é esse salto para a quinta geração”, detalhou. Quanto aos custos do programa, o general informou “que orçará 5,5 mil milhões, eventualmente”, mas ressalvou que “não é um programa que é pago num ano, estamos a falar de um programa a 20 anos“.

Entretanto, numa notícia publicada hoje (17 de maio) pelo jornal “Expresso” informa-se que o general Cartaxo Alves considera necessário Portugal “adquirir 27 caças ‘invisíveis’ norte-americanos F-35A, da Lockheed Martin, para substituir os 28 jatos F-16 do mesmo fabricante”. A justificação para o general considerar ser uma necessidade é a FAP possuir aeronaves com 30 anos de serviço que começam a ficar “obsoletas” e atingirão os 40 anos quando chegar a primeira aeronave F-35.

No entanto, ainda não foi tomada a decisão política de se avançar com o processo de compra. Ao “Expresso”, o CEMFA alertou que “estamos a ficar sozinhos” e, numa altura em que a segurança internacional atravessa momentos críticos, Portugal arrisca-se a perder a soberania aérea e credibilidade na NATO.

O Polígrafo endereçou ao Ministério da Defesa Nacional várias questões sobre esta matéria, no dia 9 de maio, às quais este respondeu que “atualmente não decorre qualquer processo de aquisição para a substituição dos caças F-16”.

________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque