Nas redes sociais tem circulado um alegado artigo do jornal “Eco”, com o título “‘Está a roubar aos portugueses que trabalham!’: o governador do Banco de Portugal levantou-se e saiu do estúdio da CNN a meio do direto”. O texto, extenso, que cita ainda um pretendido “Programa Nacional de Acesso Financeiro”, supostamente aconselhado pelo Governo português, remete o leitor para uma inscrição em “três passos”.
O texto fraudulento constrói um diálogo inteiro, atribuído a Álvaro Santos Pereira e a André Ventura, com falas dramatizadas, incluindo a acusação de que o governador estaria “a roubar aos portugueses que trabalham”. No entanto, nenhum confronto deste género teve lugar no CNN Prime Time nem em qualquer outro programa. Trata-se de um discurso totalmente inventado.
Uma análise mais atenta revela vários indícios de que se trata de uma burla. Desde logo, o endereço eletrónico não corresponde ao site oficial do jornal. Enquanto o site verdadeiro do “Eco” se resume ao domínio eco.sapo.pt, a página em causa apresenta um endereço longo e suspeito, com termos como “top click” e “campaign” incorporados no URL, características típicas de páginas de publicidade fraudulenta e não de artigos jornalísticos.
Para reforçar a aparência de legitimidade, o artigo inventa uma referência (CMVM-PNAF-2026-PT-0415) apresentada como prova de que o programa está “inscrito no gov.pt” e “fiscalizado pela CMVM”, o que não é verdade. O texto reforça ainda esta teoria com uma alegada “Nota da Redação” do próprio ECO, a “confirmar” o esquema com uma caixa de texto que imita uma “verificação de factos”.

O artigo recorre ainda a supostos beneficiários identificados por nome, idade e profissão, como uma professora em Braga, um reformado dos CTT em Aveiro, e um bombeiro em Leiria, com valores de rendimento precisos. Esta é uma técnica recorrente em esquemas de investimento fraudulento e que serve para criar urgência junto do leitor. Aliás, no final do texto surge mesmo mecanismo de contagem decrescente de vagas por distrito.
O suposto autor do artigo, Duarte Santos, também não consta da lista de jornalistas, colunistas ou colaboradores do “Eco”, nem da respetiva ficha técnica.
Este esquema segue o “modus operandi” de outras burlas já identificadas pelo Polígrafo. O próprio Banco de Portugal já alertou para este tipo de esquema, referindo que “nestas divulgações são, muitas vezes, utilizadas abusivamente imagens de pessoas conhecidas do grande público (como personalidades do entretenimento, do desporto ou da política), que supostamente obtiveram grandes quantias com estes investimentos”, acrescentando que, “por vezes, as imagens, vídeos ou áudios com os testemunhos de sucesso são manipulados com recurso a inteligência artificial (deepfakes), não sendo possível, à partida, distingui-los de um testemunho real”.
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Avaliação do Polígrafo:



