Datado de 29 de janeiro, o post em causa exibe uma capa de setembro de 2010 do "Jornal de Negócios", com a seguinte manchete em destaque (a par de uma imagem de José Sócrates, então Primeiro-Ministro): "Salários cortados. Função pública e empresas do Estado sofrem reduções salariais em 2011. Salários acima de 1.500 euros têm corte de 3,5% a 10% e pensões são congeladas. IVA sobe para 23%, deduções ao IRS são limitadas e há novo imposto para a banca. PT salva objetivo do défice público deste ano com fundo de pensões."

É a partir desta memória que se comenta que "depois de subir a dívida de 60% do PIB [Produto Interno Bruto] para 120% e elevar o défice a quase 10%, Sócrates reduziu as despesas do Governo socialista por meio de cortes de gastos, aumento de impostos, cortes de salários e pensões como medidas de austeridade para evitar a bancarrota."

No entanto, "já com muita dificuldade em contrair empréstimos e cumprir as suas obrigações existentes, de pagar os empréstimos anteriores, as medidas do PS de aproximação das receitas do Governo às depesas já não foram a tempo de enganar as agências de classificação de crédito e, como resultado, os socialistas fugiram, deixando Pedro Passos Coelho a pagar a conta da festa socialista."

Colocando de parte a subjetividade da opinião política, focamo-nos nos números evocados. Confirma-se que, durante o período de governação de Sócrates, a dívida pública aumentou de 60% para 120% do PIB e o défice atingiu 10%?

Quando José Sócrates assumiu o cargo de Primeiro-Ministro, no início de 2005, herdou uma dívida pública que se cifrava em 67,1% do PIB (em 2004), tendo subido logo nesse primeiro ano para 72,2% do PIB.

Não era exatamente de 60%, mas estava muito próximo desse nível.

Na primeira legislatura de Sócrates como Primeiro-Ministros, a dívida pública foi subindo ligeiramente até 75,6% do PIB em 2008, mas no último ano (em 2009), não sem efeitos secundários da crise do subprime, acelerou a escalada para 87,8% do PIB.

Importa aqui recordar também as eleições legislativas de 2009, nomeadamente a campanha em que Manuela Ferreira Leite, então líder do PSD, alertou para a subida exponencial da dívida pública em percentagem do PIB.

Nessas legislativas, Sócrates perdeu a maioria absoluta, mas voltou a formar Governo e a assumir o cargo de Primeiro-Ministro. E a dívida pública continuou a subir: 100,2% do PIB em 2010 e 114,4% em 2011.

Sócrates viria a demitir-se no final de março de 2011, na antecâmara do resgate financeiro da Troika, pelo que ainda teve uma quota-parte de responsabilidade pelo aumento registado no ano seguinte: 129% do PIB em 2012.

As percentagens indicadas no post não são totalmente exatas ou rigorosas, mas estão próximas dos números reais. O mais correto teria sido dizer que a dívida pública aumentou de 67,1% para 114,4% do PIB durante a governação de Sócrates.

Quanto à alegação de que terá elevado o défice "a quase 10%", até peca por defeito.

O facto é que, em 2010, o défice das Administrações Públicas atingiu mesmo o nível mais elevado de sempre: -11,4% do PIB.

No ano seguinte, em 2011, baixou para -7,7% do PIB. Só voltou a cumprir as regras de Bruxelas (fasquia de -3%) em 2016, já com António Costa no cargo de Primeiro-Ministro, quando diminuiu para -1,9% do PIB.

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