“A minha candidatura é verdadeiramente independente e é para os portugueses e Portugal (…) Não gostaria de ver na presidência um cavalo de Tróia de nenhum partido. É isso [candidatura de independentes] que faz sentido num sistema semi-presidencialista”, começou por afirmar esta segunda-feira à noite, em entrevista à RTP, o candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo.
A propósito da paralisação de 11 de dezembro, organizada pela CGTP e pela UGT, o Almirante considerou que há medidas necessárias no programa laboral do Governo, mas que o trabalho deve ser feito essencialmente a pensar nos trabalhadores: “Um acordo é dez vezes melhor que uma luta (…) Os trabalhadores são mais de 99% da população. Estamos a falar em afetar direitos de 99% da população.”
Será que esta percentagem está correta?
Não. Na realidade, segundo a Pordata, 78,5% das pessoas entre os 20 e os 64 anos estava a trabalhar em 2024. Esta “é a taxa de emprego mais elevada dos últimos 15 anos, tendo aumentado 11 pontos percentuais (p.p.) desde 2009”. Ainda assim, não chega perto dos 99% mencionados por Gouveia e Melo.
O cenário é ainda mais óbvio quando abrange toda a população em Portugal: os trabalhadores representavam, no ano passado, cerca de metade (47.7%) dos habitantes (havia 5,1 milhões de pessoas ativas no país).
Ao Polígrafo, a candidatura de Gouveia e Melo considerou que a frase é uma “forma de expressão”, no sentido de as medidas laborais afetarem não só os trabalhadores mas também as suas famílias, ou seja, praticamente toda a população.
______________________________
Nota Editorial: Artigo atualizado às 15h de 12/11 para acrescentar declarações da candidatura de Gouveia e Melo.
______________________________
Avaliação do Polígrafo:
