"E fazemos nova atualização... Petróleo a 100 dólares hoje! Paga tuga, que a cambada de atrasados não acha isto austeridade", comenta-se num post de 6 de julho no Facebook, enviado ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

Mas não é a cotação do barril de petróleo nesse dia - nem o resto do comentário supracitado - que está em causa. O que suscita dúvidas é a imagem associada em que se comparam os preços do barril de petróleo bruto (Brent) nos mercados internacionais e da gasolina simples 95 comercializada em Portugal, entre julho de 2008 e junho de 2022.

Confirma-se que a gasolina está agora mais cara do que em 2008, apesar de o barril de petróleo estar mais barato?

De acordo com os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), no ano de 2008, a cotação do petróleo bruto (Brent) atingiu o seu valor mais elevado precisamente no mês de julho, com uma média (mensal) de 133,18 dólares por barril. Mas se olharmos para os números diários, disponíveis no portal "Investing Portugal", o facto é que se registou um máximo de 147,50 dólares por barril de petróleo no dia 11 de julho de 2008. No mesmo dia, o preço médio da gasolina simples 95 comercializada em Portugal cifrava-se, segundo os dados da DGEG, em 1,525 euros.

No dia 11 de julho de 2022, a cotação mais alta do barril do petróleo cifrava-se em 107,70 dólares, mas durante o mês de junho (referenciado na publicação), a média do preço do barril de petróleo foi de 117,50 dólares, um valor mais próximo daquele apontado na publicação. O montante máximo atingido durante o mês de junho foi de 125,19 dólares, a cotação de abertura do dia 14 de julho.

Ora, nesse dia, o litro de gasolina simples 95 custava em média 2,009 euros. Este valor difere do que consta na publicação em causa, mas não deixa de confirmar a principal conclusão: Que um barril de petróleo mais caro em julho 2008 dava origem a gasolina mais barata do que em junho de 2022.

Contactada pelo Polígrafo em março deste ano, a Apetro - Associação Portuguesa De Empresas Petroliferas explicou que "são vários os fatores que contribuem" para este facto. Entre os quais: "A cotação dos produtos refinados em relação ao crude; a taxa de câmbio entre o euro e o dólar norte-americano; o valor do ISP - Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP + CSR + adicional de CO2) e a taxa de IVA; o nível de incorporação de biocombustíveis; a inflação acumulada que tem impacto nos custos operacionais".

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Avaliação do Polígrafo:

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