"Se as exportações de gás natural são importantes para a Rússia, estas representaram nos últimos 10 anos 7% das exportações de bens. A riqueza da economia russa é sobretudo retirada da produção petrolífera, 57% das exportações de bens. Uma produção considerada insubstituível em termos globais, 10% da produção mundial", lê-se no post divulgado no Facebook a 2 de abril, denunciado ao Polígrafo como contendo informação falsa ou enganadora.

Para ilustrar os números, o autor da publicação recorreu a um recorte de um gráfico elaborado pela "Statista", empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, que mostra dados sobre o comércio internacional de mercadorias russas, tais como as exportações de gás natural e petróleo ou as importações.

Ainda assim, os dados destacados no post podem ser consultados em várias bases de dados, não sendo possível retirar percentagens do gráfico anexado. Relativamente às exportações de gás natural e de petróleo, o Polígrafo recorreu ao Observatório de Complexidade Económica (OEC), um site de visualização de dados do comércio internacional, que revela que a Rússia exporta principalmente petróleo bruto, petróleo refinado, gás de petróleo liquefeito, ouro e carvão.

Estas exportações seguem maioritariamente para a China, Reino UnidoPaíses Baixos, Bielorrússia e Alemanha. Em 2020, por exemplo, a Rússia foi o segundo maior exportador mundial de petróleo bruto, tendo sido este o produto mais exportado pelo país no mesmo ano, com destino à China, Países Baixos, Alemanha, Coreia do Sul e Polónia.

Ora, atentando agora nas exportações de GPL, que faz parte da categoria de combustíveis minerais e óleos minerais onde se inclui o gás natural em estado gasoso, gás natural liquefeito, propano, butano, GPL, etileno, entre outros, verifica-se que em 2020 este foi o 12.º produto mais negociado do mundo, sendo que o comércio deste produto representa 1,3% do comércio mundial total.

Nesse mesmo ano, a Rússia esteve entre os principais exportadores de gás, ficando apenas atrás dos EUA, da Austrália e do Qatar. Do outro lado, a importar grande parte do gás destes países estiveram a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Índia e a Itália.

  • Importação de gás natural da Rússia para Portugal "mais do que quintuplicou" em 2020?

    A guerra na Ucrânia acentuou a preocupação com a dependência da energia importada da Rússia, um dos beligerantes e, aliás, invasor do país vizinho com forças militares. Nas redes sociais multiplicam-se as publicações sobre esta matéria, embora nem sempre apresentando dados corretos ou atualizados. Neste caso, alega-se que "Portugal mais do que quintuplicou as importações de gás natural proveniente da Rússia". O Polígrafo verifica.

Mas, afinal, quanto representa este produto nas exportações da Rússia, em 2020 e nos últimos 10 anos?

Último intervalo com dados disponíveis, 2020 foi um ano de queda para a Rússia em termos de exportações. Ao nível do petróleo bruto e do gás, por exemplo, as exportações caíram 18,1 pontos percentuais entre 2015 e 2020. Ainda assim, nesse último ano, 5,98% das exportações russas eram representadas pelo gás de petróleo liquefeito, onde se inclui o gás natural, como já vimos. Olhando para os anos anteriores, e fazendo as contas aos últimos 10 anos, ou seja, até 2010, é realmente verdade que este produto representou apenas 7% do total das exportações russas, mais precisamente 7,37% (anos de 2014 e 2012 sem dados disponíveis).

Quanto ao petróleo, tendo apenas em conta o petróleo bruto e o refinado, a verdade é que a média dos últimos 10 anos ronda os 45,4% do total das exportações e não os 57% mencionados na publicação (sem referência a intervalo de tempo ou ano específico).

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Avaliação do Polígrafo:

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