“Atenção! A varíola foi erradicada em 1977. A alegada varíola dos macacos nada mais é do que herpes zoster”, destaca-se numa publicação partilhada no dia 27 de maio.

A desinformação em torno da varíola dos macacos disseminou-se nas redes sociais. Uma imagem mal atribuída a um artigo também passou a informação errada. “Interessante… veja a data do artigo”, escreve-se numa publicação no Facebook.

O post de 21 de maio mostra três imagens: uma dos sintomas da herpes zoster com uma descrição que se refere à mesma doença; uma com a mesma fotografia mas com uma descrição referente à varíola dos macacos; e a captura de ecrã da data em que o artigo (segunda imagem) sobre a varíola dos macacos foi publicada (17 de julho de 2021).

A notícia sobre a herpes zoster está no site do Departamento de Saúde em Queensland, na Austrália. No entanto, a imagem utilizada nessa notícia também foi, incorretamente, atribuída ao aspeto das lesões causadas pela varíola dos macacos, por uma página chamada The Health Site. Este artigo existe, mas a fotografia em questão já não está a ilustrar o tema. O site não diz quando a história foi publicada, mas indica que foi atualizada a 23 de maio de 2022.

A mesma história foi encontrada noutro site, com a mesma data que aparece na imagem do Facebook, mas já sem a fotografia da herpes zoster. O Politifact e o Polígrafo não encontraram mais nenhum artigo onde tenha sido utilizada a imagem em questão para retratar a varíola dos macacos.

Outra imagem manipulada também levou os internautas a acreditarem que os casos de varíola dos macacos eram afinal herpes. “Canadá: 95% dos casos de varíola dos macacos são afinal herpes zoster, um dos efeitos secundários das vacinas experimentais”, garante-se no post.

O logótipo do CTV News - um canal de informação canadiano - pode ser visto no topo da imagem partilhada, cujo título é o seguinte: "Autoridades de saúde pública que investigaram duas dúzias de casos suspeitos de varíola dos macacos em todo o Canadá descobriram que 95% dos casos são herpes zoster".

O lead da suposta notícia traduz-se em: "Surtos de varíola dos macacos, que o novo estudo demonstra ser herpes zoster em testes laboratoriais recentes, têm alguns peritos a ligar novas descobertas ao aprimoramento imunológico e às vacinas Covid. Autoridades de saúde canadianas irão realizar uma conferência com a OMS [Organização Mundial de Saúde] para rever os efeitos secundários da vacina Pfizer e do ADE [aprimoramento imunológico]".

No entanto, várias pesquisas feitas pela agência Reuters e pelo Polígrafo, tanto no site do CTV News, como nas redes sociais do mesmo órgão de comunicação não revelaram nenhuma notícia publicada pelo mesmo. Também não foi encontrada nenhuma outra peça jornalística semelhante publicada por qualquer outro jornal.

A varíola dos macacos e a herpes zoster são doenças diferentes 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a varíola dos macacos - monkeypox, em inglês - é um vírus transmitido para os seres humanos através dos animais. É da família da varíola, uma doença que foi erradicada a nível mundial há mais de 40 anos.

A transmissão desta doença pode ocorrer por várias vias. A principal forma de contágio é pelo contacto com as lesões cutâneas, que caracterizam a doença. Além disso, a doença pode ainda ser transmitida através de gotículas libertadas pela respiração, do contacto muito próximo e prolongado com pessoas infetadas ou com materiais contaminados com o vírus.

Já a herpes zoster (ou zona), segundo o Serviço Nacional de Saúde (SNS), “é uma doença transmissível e viral provocada pelo mesmo vírus da varicela. Provoca sobretudo alterações localizadas da pele. É causada pelo vírus varicela zoster, do grupo Herpesvirus”. A doença manifesta-se através de uma dor intensa que, passados alguns dias, revela algumas manchas vermelhas com bolhas e posteriormente crostas.

O doente pode ter “sensação de calor, comichão (menos relevante do que a varicela), hipersensibilidade cutânea, dormência ou formigueiro, febre e calafrios, dor e desconforto abdominal”. A herpes zoster transmite-se por contacto direto (líquido das bolhas) e contacto indireto (objetos contaminados).

_________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.
Falso
International Fact-Checking Network