O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Fundador dos autodenominados “Médicos pela Verdade” foi detido na Argentina?

Internacional
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Numa página na internet afirma-se que Mariano Arriaga, oftalmologista e fundador do grupo “Médicos pela Verdade”, foi detido na Argentina por "falar de medicina" durante um protesto. É verdade?

“Fundador do Médicos pela Verdade é preso por ‘falar de medicina’ em protesto, na Argentina”, lê-se no título de um texto publicado numa página na Internet.

De acordo com o artigo, “Mariano Arriaga estaria muito ferido, sem comer nem beber e teria sido colocado em uma cela aberta, sem proteção ao frio e sem acesso a advogado”. As fontes das alegações são relatos nas redes sociais.

A detenção ocorreu no dia 25 de maio, em Rosário, “durante um protesto pacífico em praça pública”. A manifestação era contra supostas experiências médicas realizadas a partir da vacinação em massa e sobre as medidas restritivas impostas pelo governo argentino que são apelidadas de “ditadura sanitária”.

É verdade que o fundador dos autodenominados “Médicos pela Verdade” foi detido?

O Polígrafo verificou vários sites da imprensa argentina e confirma-se que o oftalmologista foi detido durante uma manifestação na cidade de Rosário. No entanto, nem tudo o que foi descrito no texto é verdade.

Um grupo de médicos tem-se dedicado à desinformação durante a pandemia. É uma organização internacional que nasceu na Alemanha, fortaleceu-se em Espanha e expandiu-se pela América Latina. As falsidades que difundem vão desde a promoção de falsas curas, a instigação ao não uso de máscaras e até a negação da pandemia por fazer parte de um suposto "plano de dominação global". Sendo médicos, o peso na discussão pública é maior e alguns Colegios Oficiales de Médicos de Espanha abriram processos para os investigar, com receio dos danos que podem causar na saúde pública.

Por exemplo, no “La Capital” escreve-se que Mariano Arriaga foi detido a 25 de maio nas imediações do Monumento à Bandeira. “Arriaga foi detido porque tinha uma ordem de captura por instigação à prática de crimes, instigação pública e violação de medidas sanitárias contra a pandemia“, explica-se na notícia.

Mais, segundo o artigo publicado pelo “La Capital”, “houve tensão e incidentes” durante o protesto “quando a polícia dispersou os manifestantes com balas de borracha“.

Nas redes sociais do jornal argentino foi publicado um vídeo em que se mostram alguns desses momentos de tensão.

No momento da detenção, Mariano Arriaga alegou que a ordem de detenção se baseava em “violações da Constituição nacional” e que os polícias seriam “cúmplices” se obedecessem à ordem.

Mariano Emilio Arriaga Ferré já esteve envolvido em outras polémicas. Em 2006, por exemplo, foi acusado de um crime após operar um suposto glaucoma. Contudo, após outros profissionais observarem o paciente, não foi detetada qualquer lesão referente à cirurgia. Foi condenado a 80 horas de trabalho comunitário numa biblioteca.

Em suma, é verdade que Mariano Arriaga foi detido durante um protesto em Rosário. A detenção deveu-se a acusações de instigação à prática de crimes e violação das medidas sanitárias, durante uma manifestação que não foi tão pacífica como é referido no texto sob verificação.

__________________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque