"Achei que era mentira. Não é! Isso será o fim da liberdade! Gravíssimo!”, lê-se na publicação partilhada a 1 de dezembro. Na base do tweet estão duas notícias sobre uma tatuagem "invisível" ou "secreta" que estará a ser desenvolvida pela Fundação Bill e Melinda Gates.

O alerta tem razão de ser?

É verdade que os investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão a desenvolver uma tinta invisível que poderá ser injetada nas crianças juntamente com as vacinas, de modo a facilitar o rastreio de vacinas nos países em desenvolvimento.

O MIT disse ao Politifact que o estudo começou em julho de 2016, ou seja, o estudo não foi inspirado no atual surto pandémico ao contrário do que se especula nas redes sociais.

A ideia é que a tinta seja visível sob luz infravermelha durante cinco anos, para proporcionar uma forma rápida e acessível de ajudar os profissionais de saúde a acompanhar as vacinas de uma criança, mesmo quando se perdem os registos ou os pais se esquecem se os filhos têm as vacinas em dia. Os investigadores defendem que manter os registos precisos de vacinas continua a ser um grande desafio em áreas com poucos recursos em todo o mundo, onde “não existem bases de dados centralizadas e sólidas”, o que “contribui para 1,5 milhões de mortes evitáveis anualmente”.

Os cientistas esperam que um registo médico invisível e integrável e que possa acompanhar as vacinas ajude a resolver esse problema. A “Gates Foundation”, criada por Bill Gates e a sua ex-mulher, Melinda Gates, tem contribuído com fundos para esta investigação.

Como surgiu a história dos “microchips”?

Os rumores começaram quando, em março de 2020, Bill Gates disse que eventualmente “teremos alguns certificados digitais” que seriam utilizados para mostrar quem tinha recuperado, sido testado e finalmente quem tinha recebido a vacina.

De acordo com a BBC, apesar de não ter havido qualquer menção a microchips, isto levou à publicação de um artigo amplamente partilhado: “Bill Gates utilizará implantes de microchips para combater o coronavírus”. O artigo faz referência, erradamente, ao estudo do MIT, financiado pela “Gates Foundation”.

Aliás, são várias as publicações que circulam nas redes sociais, desde o início da vacinação, que mencionam um alegado microchip inserido através das vacinas contra a Covid-19.

No entanto, não existe uma vacina microchip e não há provas que sustentem as afirmações que circulam na Internet. Inclusive, a Fundação Bill e Melinda Gates disse à BBC que as alegações são falsas.

Desde o início da pandemia que o fundador da Microsoft tem sido um dos maiores alvos de desinformação. Foi acusado de lucrar com a doença, de querer controlar as pessoas com microchips e de ter um plano para diminuir a população mundial.

Concluindo, é verdade que está a ser desenvolvida uma tinta invisível, cujo objetivo é ser injetada nas crianças juntamente com as vacinas, mas este estudo não surgiu no contexto da pandemia de Covid-19. Além desta investigação ter começado há mais de três anos, não há nenhuma menção a microchips instalados nas vacinas.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falta de contexto: conteúdos que podem ser enganadores sem contexto adicional.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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