O deputado do Chega, Pedro Frazão, publicou esta quinta-feira um vídeo na sua conta do Instagram onde refere que o candidato presidencial António José Seguro acusa André Ventura de promover desinformação, mas o partido que o apoia, o PS, “gastou 40 mil euros em perfis falsos para manipular as redes sociais”. Neste contexto, Frazão acusa os socialistas de “hipocrisia”. Mas será que também o Chega se “alimenta” de contas falsas que promovem o partido?
Sim. As notícias que o comprovam são, aliás, do mesmo período e antecederam a campanha para as eleições legislativas de 18 de maio de 2025. Logo no início do mês, a CNN publicou um artigo a dar conta de que o Partido Socialista gastou 40 mil euros na criação de cerca de 300 perfis falsos nas redes sociais entre 2019 e 2020. O objectivo destas contas seria gerar comentários de apoio ao PS e a António Costa, então secretário-geral do PS, e ainda votar nas sondagens online dos debates televisivos a favor dos socialistas.
Já a 16 de maio do ano passado, a CNN publicou uma nova notícia sobre a campanha online, mas desta vez focada no Chega: 58% das contas que promoviam o partido nas redes sociais eram falsas, concluía um estudo feito para a CNN e para a TVI. Da análise resultou a observação de que todos os grandes partidos eram afetados pelos perfis falsos no X, mas a maioria destas contas era utilizada para promover o Chega e desacreditar o PS e a coligação AD. Tratou-se de uma “estratégia coordenada para enfraquecer os partidos estabelecidos, ao mesmo tempo que amplificava o apoio à alternativa de extrema-direita”, lê-se.
De acordo com este relatório, a conta oficial do Chega no X era, à data, a que juntava a maior percentagem de perfis falsos nos comentários. Esses perfis promoveram o Chega como defensor da identidade portuguesa e reforçaram narrativas nacionalistas destinadas a melhorar a sua imagem pública. Em contrapartida, nas contas oficiais do PS, do PSD, de Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro, a percentagem de perfis falsos nos comentários descia para uma média de 49%.
Destaque ainda para vários estudos que têm apontado o partido Chega, e André Ventura em particular, como promotores de desinformação nas redes sociais e fora delas.
Em quatro semanas de pré-campanha e campanha eleitoral, analisadas por um estudo promovido pelo Observatório de Desinformação Política, foram identificados 14 casos de desinformação e André Ventura foi responsável por 85,7% dos casos identificados. Os restantes são atribuídos a pré-candidatos que não foram aceites pelo Tribunal Constitucional (TC), como Joana Amaral Dias.
Em suma, o deputado Pedro Frazão está correto quando diz que o PS gastou 40 mil euros em perfis falsos, caso que remonta a 2019 e 2020. Mas vale a pena destacar que, de acordo com dados recentes, 58% das contas que promovem o Chega nas redes sociais também são falsas… não sendo possível afirmar se esta foi ou não uma estratégia levada a cabo pelo partido.
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