"Eu tenho medo de quê? Veja bem: com 31 anos candidatei-me à liderança do CDS depois dos piores resultados em eleições legislativas e europeias, com um partido falido, com cinco deputados e com dois novos partidos à direita. Não pedi autorização a ninguém para ser candidato, eu avancei. E consegui neste tempo outra coisa que ainda não disse. Além dos resultados eleitorais, eu já reduzi a dívida do meu partido em cerca de 45% do valor que herdei. Acha que eu tenho medo de ir a votos?".

Foram estas as palavras de Francisco Rodrigues dos Santos na entrevista à RTP3 para justificar o adiamento do Congresso Eleitoral do CDS. E para provar que não se trata de uma questão meramente política, uma vez que o país pode estar a aproximar-se de novas eleições legislativas, o líder centrista afirma que não tem medo de ir a votos, enumerando tudo o que de positivo fez pelo CDS.

Mesmo perante as consecutivas baixas no partido, Rodrigues dos Santos acredita que poderia agarrar o cargo frente a Nuno Melo, mas defende convictamente o adiamento das eleições internas que o próprio quis apressar antes de ser conhecido o chumbo do Orçamento do Estado (OE) para 2022 no Parlamento.

Mas será verdade que o sucessor de Assunção Cristas conseguiu diminuir em 45% as dívidas deixadas pela antiga direção?

Segundo as contas entregues pelos partidos à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), relativas a 2020, a situação financeira do CDS já esteve pior. Depois de se ver obrigado a uma reestruturação financeira, o partido conseguiu aumentar o ativo (deixado por Assunção Cristas nos 435 mil euros em 2019) até aos 1,162 milhões de euros, uma subida de cerca de 700 mil euros.

O próprio líder do partido já tinha referido este valor no dia 29 de outubro: "Quando fui eleito herdei, neste partido, uma dívida de um milhão e 200 mil euros. Já reduzimos a dívida em cerca de 700 mil euros", assegurou Francisco Rodrigues dos Santos. Mas a verdade é que a declaração do centrista não é precisa nem coerente com aquilo que o líder afirmou apenas quatro dias depois. Desde logo porque os 45% da dívida deixada por Assunção Cristas, que se cifrou nos 1,276 milhões de euros, correspondem a sensivelmente 574 mil euros. Menos 176 mil euros do que o valor mencionado por Rodrigues dos Santos a 29 de outubro.

Depois, porque quando olhamos para as Contas Anuais dos Partidos Políticos referentes ao ano de 2020, verificamos que o passivo do CDS não só não baixou como, aliás, sofreu um aumento de cerca de cem mil euros, atingindo os 1,375 milhões de euros no final desse ano. Apesar disso, o partido fechou o ano de 2020 com um resultado positivo de 244 mil euros.

Assim, apesar do aumento do passivo, a situação líquida do partido melhorou, na medida em que o ativo também aumentou em cerca de 700 mil euros. No entanto, como Francisco Rodrigues dos Santos se referiu específica e exclusivamente à dívida, classificamos como falso. Por outro lado, também não conseguimos identificar a origem dos 45% evocados pelo líder centrista.

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