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Debates Europeias. Francisco Paupério afirma que Israel destruiu camiões de ajuda destinada ao povo da Palestina. Confirma-se?

União Europeia
O que está em causa?
O primeiro de uma série de debates, transmitidos na rádio Observador, entre os cabeças de lista às eleições europeias de sete dos partidos que contam com representação na Assembleia da República, ficou marcado por uma evidente divergência de opiniões entre o candidato do Chega, António Tânger Corrêa, e Francisco Paupério, do Livre – que acusou Israel de destruir camões de ajuda humanitária destinada ao povo palestiniano. Terá razão?
© António Cotrim/Lusa

A guerra em curso no Médio Oriente foi um dos temas em debate, esta manhã, na rádio Observador, entre António Tânger Corrêa (Chega) e Francisco Paupério (Livre). Sobre o assunto, o primeiro dos candidatos considerou que “os conflitos não devem ser tratados de forma simplista” e, ainda, que “a União Europeia sempre enviou ajuda aos palestinianos”.

Na sequência de tais afirmações, o cabeça de lista do Livre notou que “Israel corta essa ajuda”, tendo já sido responsável pela destruição de camiões de ajuda humanitária destinados ao povo palestiniano. O vice-presidente do Chega assegura que tal não é verdade, notando que “Israel destruiu” carregamentos dessa natureza “porque iam diretos para o Hamas”, acrescentando que “grande parte dos funcionários das Nações Unidas estão ligados” a este grupo militante islâmico. O que motivou uma reação imediata por parte de Paupério: “Tânger está a dizer uma mentira.”

Quem tem razão?

Neste caso, será o candidato do Livre. De acordo com uma investigação da CNN Internacional, partilhada a 21 de fevereiro com base em documentos partilhados pela referida organização intergovernamental, as “forças israelitas dispararam contra um comboio [humanitário] das Nações Unidas, que transportava alimentos vitais, no centro de Gaza, a 5 de fevereiro, antes de finalmente impedirem a passagem dos camiões para a parte norte do território”, onde um elevado número de palestinianos se encontrava “à beira da fome”.

Sobre o tema, a CNN Internacional diz ter tido acesso a “correspondência entre a ONU [Nações Unidas] e os militares israelitas”, a qual “mostra que a rota do comboio foi acordada por ambas as partes antes do ataque”. Citando um “relatório interno do incidente, compilado pela UNRWA, a principal agência de ajuda humanitária da ONU em Gaza”, concluiu-se que “o camião era um dos 10 que fazia parte de um comboio que se encontrava parado num ponto de detenção das FDI [Forças de Defesa de Israel] quando foi alvo de disparos”. 

O mesmo meio de comunicação social noticiou ainda que, na sequência deste ataque de 5 de fevereiro, “a UNRWA decidiu suspender o envio de comboios [humanitários] para o norte de Gaza”.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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