"Urgente! Carteiro dos correios é preso na fronteira dos EUA com o Canadá com milhares de votos roubados", destaca-se em mensagem publicada no Twitter, a 6 de novembro, e replicada em múltiplas publicações nos últimos dias.

Nesse tweet indica-se uma hiperligação para uma notícia de um site norte-americano, com o seguinte título, em tradução livre: "Funcionário dos correios dos EUA apanhado na fronteira canadiana com boletins de voto roubados na mala da carrinha". 

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Confirma-se que foram encontrados "milhares de votos roubados" numa carrinha dos correios norte-americanos? 

Esta denúncia já foi analisada por várias plataformas de verificação de factos, nomeadamente a AFP Fact Check, as quais chegaram à conclusão invariável de que se trata de uma fake news.

De acordo com um comunicado do Departamento de Justiça dos EUA, Brandon Wilson foi detido a 3 de novembro, dia das eleições presidenciais dos EUA, durante uma operação de rotina numa passagem de fronteira entre o Estado de Nova Iorque (EUA) e Ontario (Canadá).

Na mala da carrinha que conduzia encontravam-se 813 itens, mas apenas três deles eram boletins de voto requeridos por cidadãos norte-americanos que não pretendiam ou não podiam deslocar-se até às urnas de voto no dia das eleições.

A porta-voz do Departamento de Justiça de Buffalo, Barbara Burns, explicou que os boletins de voto tinham sido enviados pelo conselho eleitoral do condado de Erie, em Nova Iorque. "Os boletins não tinham sido preenchidos", assegurou Burns, citada pela AFP Fact Check. Por seu lado, Wilson, o detido, afirmou perante as autoridades que "pretendia entregar a correspondência, mas que se esqueceu de devolvê-la aos correios".

O inventário realizado por inspetores do serviço postal norte-americano permitiu concluir que o funcionário dos correios transportava, além dos três boletins de voto, 106 envelopes com propaganda política, 220 elementos de correspondência de primeira classe (postais, cartas, envelopes grandes ou pequenas encomendas) e 484 itens da denominada "correspondência standard" (catálogos, panfletos, boletins informativos).

Segundo o Departamento de Justiça, Wilson foi acusado do crime de "atraso ou destruição da correspondência", enfrentando a possibilidade de uma pena máxima de cinco anos de prisão e multa de 250 mil dólares (212 mil euros).

O Polígrafo já analisou outras denúncias sobre alegadas fraudes nas eleições presidenciais dos EUA, tais como o suposto surgimento de 130 mil votos em Michigan que teriam sido todos atribuídos a Joe Biden ou a alegação de que no Wisconsin havia mais votos contados do que eleitores registados. Mais fake news sem qualquer sustentação factual.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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