"21 milhões de euros 'alagados' no Dubai", destaca-se no início de uma publicação no Facebook, datada de 2 de janeiro. "Hoje era dia de visitar o Pavilhão de Portugal na Expo Dubai. Ao chegar fui informado que está encerrado desde o dia 30 de dezembro. Segundo informações obtidas no local fecharam o pavilhão por infiltrações pluviais, risco de desabamento e destruição do sistema digital", relata o autor da mensagem partilhada dezenas de vezes nos últimos dias.

E acrescenta: "Esta obra e o seu funcionamento rondam os 21 milhões de euros. No Dubai chuviscou um dia e, por isso, fico perplexo com a forma como o governo socialista esbanja o nosso dinheiro, além da péssima imagem do país que deixamos por esse mundo fora. Obrigado Partido Socialista por mais uma desilusão a roçar a vergonha."

Os factos apresentados no post são autênticos?

Contactada pelo Polígrafo, fonte oficial da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), responsável pela coordenação da participação de Portugal na Expo 2020 Dubai, começa por confirmar o valor de investimento global de 21 milhões de euros, "o que engloba a estrutura do Pavilhão, com um custo de 5,4 milhões de euros, mas também todos os outros custos associados, desde a programação a custos operacionais".

"As condições meteorológicas extraordinárias dos primeiros dias do ano no Dubai afetaram o sistema elétrico da experiência expositiva, predominantemente digital, e do restaurante, obrigando a um encerramento temporário destas áreas para garantir o funcionamento em segurança do sistema elétrico, bem como a segurança dos visitantes e clientes", informa a mesma fonte.

Existem várias incongruências na publicação em análise. Em primeiro lugar, a referência às condições meteorológicas que se fizeram sentir no Dubai nos primeiros dias de janeiro, o autor diz que apenas "chuviscou um dia". Segundo a AICEP, o Centro Nacional de Meteorologia dos Emirados Árabes Unidos registou, nos primeiros dias do ano, "chuvas fortes, trovoada e granizo, numa intempérie que, infelizmente, também afetou pavilhões de outros países na Expo 2020 Dubai".

São várias as notícias (pode consultar aqui, aqui e aqui) que comprovam a ocorrência de chuvas fortes que se fizeram sentir no Dubai, bem como os danos causados em casas e, mais concretamente, em todo o edifício que alberga a Expo 2020 Dubai. Ou seja, os estragos e o consequente encerramento da exposição portuguesa não são um caso isolado no evento, ao contrário do que sugere o post.

O Centro Nacional de Meteorologia dos Emirados Árabes Unidos registou, nos primeiros dias do ano, "chuvas fortes, trovoada e granizo, numa intempérie que, infelizmente, também afetou pavilhões de outros países na Expo 2020 Dubai".

"A integridade do Pavilhão de Portugal não foi afetada e as reparações necessárias no sistema elétrico foram marginais. O Pavilhão de Portugal nunca fechou totalmente - a loja e cafetaria permaneceram abertas aos visitantes, com atividades de promoção do país. O restaurante e área da exposição, que encerraram temporariamente no dia 1 de janeiro, reabriram entre quarta e quinta-feira da semana passada [5 e 6 de janeiro]", esclarece ainda a entidade responsável pela exposição.

"A integridade do Pavilhão de Portugal não foi afetada e as reparações necessárias no sistema elétrico foram marginais. O Pavilhão de Portugal nunca fechou totalmente".

Em suma, a mensagem analisada apresenta factos corretos, tais como o investimento de 21 milhões de euros nesta exposição pelo Estado Português e o seu encerramento temporário, nos primeiros dias de janeiro, por danos nas instalações. No entanto, existem várias afirmações enganadoras, como a real gravidade das  condições meteorológicas e passar a ideia de que o único pavilhão encerrado foi o português.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Parcialmente falso: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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