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Foram abatidas árvores na mata do Jamor para ampliar um parque de estacionamento?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Nas redes sociais, uma publicação denuncia o abate de árvores de grande porte na mata do Jamor, em Oeiras, para dar espaço à ampliação de um parque de estacionamento. “Enquanto a COP26 censura os países que permitem a desflorestação, estas imagens não são lá longe, são no Jamor, em Oeiras", lê-se no "post". Confirma-se?

“Enquanto a COP26 censura os países que permitem a desflorestação, estas imagens não são lá longe, são no Jamor, em Oeiras, e trata-se de requalificar e ampliar um estacionamento automóvel dentro da mata, a escassos metros de um parque de estacionamento recém-inaugurado em Linda-a-Velha com 164 lugares (a somar a outros disponíveis). O que procuramos afinal na mata do Jamor? A mata ou um local para estacionar? Aguardamos resposta da Secretaria de Estado e do IPDJ à nossa missiva”, a publicação foi partilhada no dia 10 de novembro pela Associação Evoluir Oeiras, uma associação local sem fins lucrativos.

Será verdade que se abateram árvores para alargar o parque de estacionamento?

O Polígrafo contactou com Paulo Pires, Diretor do Centro Desportivo Nacional do Jamor, que confirma a ocorrência da obra de requalificação do parque de estacionamento da carreira de Tiro. “Este estacionamento, existente há já várias décadas encontrava-se na sua maioria inoperacional, devido a ter uma significativa extensão de espaços danificados, em grande parte como consequência do crescimento superficial das raízes dos exemplares arbóreos aí existentes”, esclarece.

Por essa razão, efetuou-se a remoção de um total de 23 árvores “na sua maioria pinheiros de alepo (Pinus halepensis) por apresentarem estados de desenvolvimento comprometido e constituírem um fator de risco para os utentes”. Ao longo dos anos, acrescenta Paulo Pires, “o crescimento destas árvores contribuiu para que se começassem a desenvolver problemas ao nível da sua conformação e estrutura com fustes muito altos e troncos inclinados”. Além disso, o crescimento das suas raízes originou o “levantamento e a consequente deterioração dos pavimentos”.

Efetuou-se a remoção de um total de 23 árvores “na sua maioria pinheiros de alepo (Pinus halepensis) por apresentarem estados de desenvolvimento comprometido e constituírem um fator de risco para os utentes”.

“A presente requalificação permitiu potenciar a utilização e rentabilização do património existente, criando condições favoráveis para acolher os muitos eventos que anualmente têm lugar nas instalações mais próximas e receber todo o tipo de utilizadores, tendo sido criados dois lugares para pessoas com mobilidade reduzida”, conclui.

O Centro Desportivo Nacional do Jamor (CDNJ), ao qual a mata do Jamor pertence, é um parque urbano com cerca de 200 hectares, dos quais 94 hectares correspondem a área florestal. No site do CDNJ destaca-se na “Estratégia para o Património Arbóreo” a preocupação pela preservação e valorização do património arbóreo e natural do parque.

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© Centro Desportivo Nacional do Jamor

No plano de requalificação estabelecem-se como objetivos da obra: a “Resolução dos problemas causados pela deterioração dos pavimentos, reflexo de conflitos gerados pelo crescimento das árvores existentes”, a “criação de cortina arbórea de ensombramento e enquadramento no estacionamento” e ainda é garantido que “serão plantadas árvores adaptadas ao local em número superior às que foi necessário abater, por razões de segurança.”

É garantido que “serão plantadas árvores adaptadas ao local em número superior às que foi necessário abater, por razões de segurança.”

Ao Polígrafo, a direção do CDNJ esclarece que se procurou uma “melhoria do enquadramento paisagístico da instalação, pela criação de cortina arbórea de 24 lódãos (Celtis autralis), árvores de folha caduca, usadas em meio urbano, que proporcionam um bom sombreamento, sendo adequadas a zonas de parqueamento. A escolha dos novos exemplares teve em consideração os problemas que estiveram na génese da atual situação.”

O CDNJ indica ainda que “vão ser plantadas nos próximos dias mais 50 novas árvores na zona da parcela da mata contígua ao estacionamento, sendo plantadas três espécies diferentes: carvalhos cerquinhos, acer campestre e Ginkgo Biloba. Com a introdução destas novas espécies, o objetivo é assegurar a criação de um espaço mais diversificado e contribuir para o aumento da sua biodiversidade, em linha com o previsto no nosso Plano de Gestão Florestal”.

O Polígrafo contactou também Maria Álvares, membro da Associação Evoluir Oeiras que esclareceu que as obras de requalificação já estão concluídas e que “efetivamente esta obra representou um aumento da capacidade de estacionamento num espaço de mata”.

© Maria Álvares

A associação esteve também reunida com o presidente do CDNJ com o objetivo de perceber quais os planos de requalificação do espaço. “O presidente do CDNJ mostrou-se muito cordial e sensível às nossas questões, insistiu na imperiosa necessidade do parque, justificada pelo facto dos praticantes de tiro transportarem material perigoso nos seus carros e por isso necessitarem de vigilância no local onde estacionam”, afirma Maria Álvares.

© Maria Álvares
No Facebook denuncia-se que foram abatidas 80 árvores em Algueirão para que seja construída uma ciclovia. De acordo com o autor da publicação, a Câmara Municipal “recebe dinheiro da União Europeia” para a construção da via para velocípedes “sem falar do preço que pode render cada árvore de grande porte nas centrais de biomassa”. É verdade?

Em conclusão, é verdadeira a informação que o Centro Desportivo Nacional do Jamor recorreu ao abate de árvores para reestruturar um parque de estacionamento dentro da mata do Jamor. Esta obra foi efetuada para alargamento do número de lugares de estacionamento, e para reformular os conflitos gerados pelo crescimento das árvores existentes.

Contudo, a direção do CDNJ garantiu plantar árvores adaptadas ao local e ressalvou que se encontra “presentemente em parceria com outras entidades, tais como os escuteiros, escolas locais e a Associação Vamos Salvar o Jamor, a proceder à plantação de 200 novas árvores distribuídas por diversos locais deste Centro Desportivo Nacional do Jamor”. 

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Avaliação do Polígrafo:

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