"Perante os factos, nunca se fez tanto, com tão pouco, em tão pouco tempo. Infelizmente as cabecinhas pensadoras e empenados mentais apologistas deste regime marxista assim não o entendem, quem sabe sejam ainda hoje eles mesmos apologistas de regimes nos quais todos os inválidos para o trabalho não havia outra alternativa senão ficar empilhado numa vala comum. É triste, mas é a mais pura verdade", alerta o autor do artigo.

A enumeração de uma série de construções, quer de hospitais quer de centros de saúde, durante o Estado Novo, foi o mote para a alegação de que teria sido António de Oliveira Salazar a implementar o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Será assim?

O SNS, tal como hoje o conhecemos, foi constituído já depois do 25 de Abril, em 1979, através da Lei n.º 56/79 de 15 de setembro, de forma a consagrar o "direito à proteção da saúde" e a prestação de "cuidados globais de saúde a toda a população".

Três anos antes, o direito à saúde era introduzido no plano constitucional português aquando da elaboração e aplicação da Constituição da República Portuguesa de 1976, ou seja, com a vigência da primeira Constituição de Estado de Direito Democrático em Portugal, logo após o 25 de Abril.

Esta estabelecia, no seu artigo 64.º, que "todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover", sendo este direito assegurado por um "serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito".

Ainda assim, o SNS só viria a ser consagrado três anos depois, pela Lei n.º 56/79, de 15 de setembro de 1979, visando, como previsto, a "prestação de cuidados globais de saúde a toda a população".

"O SNS é constituído pela rede de órgãos e serviços prevista neste diploma, que, na dependência da Secretaria de Estado da Saúde e atuando de forma articulada e sob direção unificada, gestão descentralizada e democrática, visa a prestação de cuidados globais de saúde a toda a população", lê-se no artigo 2.º da referida lei.

Ainda na mesma lei é referido que o acesso ao SNS "é garantido a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica e social", bem como "aos estrangeiros, em regime de reciprocidade, aos apátridas e aos refugiados políticos que residam ou se encontrem em Portugal".

Em suma, é falso que o SNS tenha sido implementado por António de Oliveira Salazar. De notar, aliás, que o acesso à saúde durante o Estado Novo era dificultado quer pelas condições socioeconómicas da população, quer pela localização geográfica de serviços como hospitais e centros de saúde.

A título de exemplo, grande parte das construções mencionadas no artigo em causa, como o Hospital de Santa Maria, o Hospital de São João e até o edifício do Instituto Ricardo Jorge, estão localizadas em grandes centros urbanos, como Lisboa e Porto.

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Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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