Na imagem surge uma caixa de “SGTi-Flex Covid-19 IgM/IgG”, com duas saquetas e um pequeno frasco. Por cima surge a descrição: “Boas notícias! Vacina contra o vírus Corona pronta. Capaz de curar o paciente dentro de três horas após a injeção. Tiremos o chapéu para os cientistas dos EUA. No momento, Trump anunciou que a Roche Medical Company lançará a vacina no próximo domingo e milhões de doses estão prontas!”.

A publicação tornou-se viral. Mas a informação que veicula é falsa: não existe nenhuma vacina que cure a Covid-19, nem qualquer medicamento que acabe com a doença em apenas três horas. Esta publicação é apenas mais uma a juntar-se à imensidão de falsas curas milagrosas que têm sido partilhadas nas redes sociais desde o início da pandemia.

A primeira falsidade desta publicação é que as vacinas não curam as doenças, mas contribuem para o desenvolvimento da imunidade e para a prevenção de contágio por um vírus e outro organismo patogénico. A Direção-Geral da Saúde (DGS) define vacina como “uma preparação antigénios (partículas estranhas ao organismo), que administrada a um indivíduo provoca uma resposta imunitária protetora específica de um ou mais agentes infeciosos”. Ou seja, através da vacinação, o corpo humano é levado a desenvolver os anticorpos necessários contra um determinado patogénico, e estes anticorpos vão impedir que o indivíduo seja contaminado.

Ainda não foi criada uma vacina para prevenir a Covid-19. “Sendo um vírus recentemente identificado, estão ainda em curso investigações em diversos países para o desenvolvimento de uma vacina com eficácia comprovada e que respeite os requisitos necessários de segurança”, esclarece ainda a DGS.. Estão atualmente em curso vários estudos a nível mundial que têm como objetivo desenvolver uma vacina que proteja a população da Covid-19, mas ainda é muito cedo para que haja resultados.

coronavirus
créditos: Fusion Medical Animation

Outra mentira veiculada pela publicação em avaliação é que a Roche (que, ao contrário do que é referido, não se chama Roche Medical Company) faz parte dos grupos farmacêuticos que estão a investigar a criação de uma vacina contra o novo coronavírus. A Organização Mundial de Saúde publicou a 9 de junho um documento onde reúne os projetos candidatos à criação da vacina e não existe qualquer referência à farmacêutica suíça.

Ainda não foi criada uma vacina para prevenir a Covid-19. “Sendo um vírus recentemente identificado, estão ainda em curso investigações em diversos países para o desenvolvimento de uma vacina com eficácia comprovada e que respeite os requisitos necessários de segurança”, esclarece a DGS..

A Roche tem vindo a apostar na criação de testes de Covid-19 e na investigação de opções de tratamento para a doença. Em resposta à plataforma de fact-checking brasileiro Agência Lupa, a farmacêutica garantiu que esta publicação é “um boato”, uma vez que a empresa “atualmente não desenvolve vacinas para prevenção do SARS-CoV-2”.

Neste momento, a empresa suíça está a desenvolver um estudo de avaliação à segurança e eficácia da tocilizumab – a substância ativa do medicamento RoActemra, utilizado originalmente para a artrite reumatoide – no “tratamento de pacientes adultos com pneumonia grave causada pela Covid-19”, pode ainda ler-se no esclarecimento.

Por fim, a terceira falsidade desta publicação é a própria imagem: a fotografia utilizada não diz respeito a nenhuma vacina ou medicamento contra a Covid-19 e não tem nada a ver com a farmacêutica Roche. Trata-se da embalagem de um teste de deteção do vírus SARS-CoV-2 que se chama SGTI-flex Covid-19 e que foi produzido pela empresa sul-coreana SugenTech.

Este mito terá sido criado na Índia e já correu vários países, sendo traduzido em várias línguas. As plataformas de fact-checking India Today  e Alt News também verificaram esta publicação.

Avaliação do Polígrafo:

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