O grande “culpado” pela existência dos The Smiths é Billy Duffy, guitarrista, figura central dos The Cult, banda rock, pós-punk/rock gótico. Foi com Morrissey, que andava mais pelo território punk naquele final da década de 1970, que Duffy encontrou a sua primeira (quase) perfeita metade musical. Aconteceu na banda The Nosebleeds - ou melhor, Ed Banger and The Nosebleeds - num período em que Banger não podia estar em palco e acabaria substituído por Morrissey.

A história é contada no site oficial de Billy Duffy: “Em 1978 Billy surge como guitarrista dos The Nosebleeds com o futuro vocalista dos The Smiths (Stephen) Morrissey. Apenas atuaram ao vivo duas vezes e este é o cartaz da primeira das duas. A banda chama-se, inicialmente, Ed Banger and The Nosebleeds e apesar de Morrissey estar a substituir o Ed, o cartaz ainda se refere à banda como se Ed lá estivesse. Foi igualmente notável porque todo o concerto foi feito em torno de composições co-escritas por Billy e Morrissey.”

Cartaz do primeiro concerto de Morrissey com os The Nosebleeds
Cartaz do primeiro concerto de Morrissey com os The Nosebleeds créditos: BillyDuffy.com

Não existem gravações deste primeiro concerto de Morrissey ao vivo e o único registo fidedigno deste acontecimento são as crónicas assinadas pelo jornalista Paul Morley no "New Musical Express", sublinha Simon Goddard no seu livro “Mozipedia: The Encyclopaedia of Morrissey and the Smiths”, editado em 2010. Na crónica sobre o concerto, Morley destaca o ressurgimento dos The Nosebleeds com “um vocalista com carisma”, concluindo que tal “é sempre uma vantagem. O vocalista é, agora, uma estrela local menor de nome Steve Morrisson”, lê-se no livro de Goddard. O lapso de Morley na grafia do apelido do futuro vocalista dos The Smiths atesta a sua pouca popularidade na época.

Depois destas duas atuações, Billy e Morrissey seguiram caminhos diferentes. Billy manteve-se pelos estilos rock mais musculados, mas não sem, antes, entregar Morrissey ao seu destino, quando lhe apresentou um velho amigo de Wythenshawe, no sul de Manchester. Aconteceu durante um concerto de Patti Smith, no Manchester Apollo, em 1978. “Eu apresentei o Johnny [Marr] ao Morrissey à entrada do Manchester Apollo e eles ‘dispararam’ depois de eu ir para Londres. Tive uma oferta irrecusável e isso significava deixar Manchester para trás e, tristemente, também Morrissey o que, olhando para trás, parece uma loucura”, diz Billy Duffy ao jornal “The Herald”. Mas quem poderia adivinhar que aqueles dois talentos iriam encaixar de forma tão perfeita?

Os The Smiths tiveram uma carreira curta de cinco anos, encaixada nos anos 1980 - entre 1982 e 1987 - mas deixaram uma marca forte com uma sonoridade muito própria, um conjunto de canções inconformáveis e que teimam em não envelhecer. Os quatro álbuns de estúdio editados - The Smiths (1985), Meat is Murder (1985), The Queen is Dead (1986) e Strange Ways Here We Come (1987) - conseguiram integrar a lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, feita pela revista "Rolling Stone".

______________

Avaliação do Polígrafo:

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.
Verdadeiro
International Fact-Checking Network