“Uma profissional de saúde ontem foi ao Continente das Caldas e encontrou lá uma paciente que tinha dado positiva para Covid. Logo de seguida, liga para a DGS e para a polícia, fizeram o levantamento de pessoas que estavam lá dentro e perceberam que estavam lá mais de 30 casos positivos”, garante-se na mensagem publicada no Twitter.

Covid supermercado

Esta não é a única publicação recente nas redes sociais a relatar episódios semelhantes: um profissional de saúde está num qualquer espaço comercial quando encontra um paciente infetado com o SARS-CoV-2 a desrespeitar o confinamento. Numa mensagem no WhatsApp, o acontecimento tem outros detalhes, mas a conclusão é idêntica: “Então não é que uma enfermeira aqui de Pombal encontra uma pessoa com Covid nas compras e diz-lhe’ desculpe mas você tem Covid, não pode estar aqui’. E que ela lhe diz ‘então e como faço as compras?”. Posto isto, a enfermeira foi à recepção e disse que estava lá uma pessoa com Covid para a chamarem mas não dizer o nome. O speaker fala “a pessoa com Covid que venha à receção” e apareceram lá 7…”. 

O decreto nº3-A/2021, que regulamenta o “Estado de Emergência” decretado pelo Presidente da República, define que ficam “em confinamento obrigatório, em estabelecimento de saúde, em estrutura residencial ou em outras respostas dedicadas a pessoas idosas, no domicílio, ou sendo aí possível, noutro local definido pelas autoridades competentes”, entre outros, os “doentes com Covid-19 e os infetados com o SARS-CoV-2”. 

A mesma lei explica que compete “às forças e serviços de segurança e às polícias municipais fiscalizar o cumprimento” das normas em vigor. Ao Polígrafo, fonte oficial da Polícia de Segurança Pública de Leiria revelou não ter dito qualquer intervenção num acontecimento idêntico ao das Caldas da Rainha. “Esta PSP não foi chamada para nenhuma ocorrência como a que é relatada, por isso desconhecemos em absoluto que tal situação se tenha passado”, respondeu. 

Ao Polígrafo, fonte oficial da Polícia de Segurança Pública de Leiria revelou não ter dito qualquer intervenção num acontecimento idêntico ao das Caldas da Rainha. “Esta PSP não foi chamada para nenhuma ocorrência como a que é relatada, por isso desconhecemos em absoluto que tal situação se tenha passado”, respondeu. 

Estas ações de fiscalização não estão incluídas nas funções da Direção Geral da Saúde, nem das Administrações  Regionais de Saúde (ARS), como realçou ao Polígrafo a ARS de Lisboa e Vale do Tejo, que opera na zona de Caldas da Rainha: “A ARSLVR não tem competências inspetivas. Isso compete às forças de segurança”. 

Recorde-se que de 14 de janeiro foi anunciada a decisão de agravar o regime sancionatório em vigor, elevando as coimas relativas às quebras das contraordenações para o dobro. Assim, as sanções podem ir dos 200 a mil euros para pessoas singulares e dois mil a 20 mil euros para pessoas coletivas.

Em suma, é falso que as forças de segurança tenham encontrado mais de 30 pessoas infetadas com o novo coronavírus num hipermercado nas Caldas da Rainha. Este relato é idêntico a muitos outros que têm circulado nas redes sociais com o objetivo de espalhar desinformação.

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Avaliação do Polígrafo:

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