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Filipe Melo: “Portugal está em antepenúltimo lugar num ‘ranking’ de redes de ferrovia na Europa”

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
No plenário de ontem na Assembleia da República foi discutida a "situação da ferrovia nacional", a pedido do PCP. Numa intervenção, o deputado do Chega, Filipe Melo, dirigiu-se ao ministro das Infraestruturas, João Galamba, para assinalar a posição de Portugal num "ranking" europeu das redes ferroviárias - garante que estamos em "antepenúltimo lugar".

A ferrovia nacional foi tema do debate no Parlamento esta quarta-feira, dia 19 de abril, proposto pelo PCP e que levou João Galamba, ministro das Infraestruturas, aos bancos parlamentares para discutir o trabalho do Executivo na área com os deputados.

Filipe Melo, deputado do Chega, interveio e lançou duras críticas ao estado do setor ferroviário.”Vou-lhe dizer em que lugar Portugal está no ranking apresentado pela Boston Consulting Group, em que estamos em antepenúltimo na Europa. Até na ferrovia nós temos de estar na cauda da Europa, estamos em tudo e a ferrovia não podia ser exceção. Abaixo de nós temos apenas a Roménia e a Bulgária, todos os outros têm uma melhor rede ferroviária que a nossa”, garantiu o deputado.

A alegação tem fundamento?

O relatório citado por Melo é verdadeiro, intitula-se “The 2017 European Railway Performance Index“, mas a verdade é que já tem cerca de seis anos. Em 2018, vários jornais portugueses destacaram, com base neste estudo da Boston Consulting Group (BCG), que Portugal estava “nos últimos lugares do desempenho ferroviário na Europa”.

Como referido pelo deputado do Chega, o sistema ferroviário português surge neste ranking na terceira posição mais baixa no índice do desempenho ferroviário entre 25 países europeus.

Os dados são de 2017 e colocam Portugal em 23º lugar com uma pontuação de 2,4 numa escala onde a nota mais alta atribuída à Suíça é de 7,2. De facto, só a Roménia e a Bulgária estão numa posição inferior à portuguesa.

Destaca-se em recente publicação no Facebook uma "grande melhoria da CP", em tom de ironia, na medida em que "os 600 quilómetros ferroviários de Lisboa-Madrid vão passar de 13 para nove horas e de três trocas de comboio para duas, em Portugal, já que de Badajoz para Madrid é direto". Confirma-se?

Este estudo mede o desempenho dos sistemas ferroviários em três dimensões para o tráfego de passageiros e mercadorias. Pela “intensidade de uso”, ou seja, “até que ponto o transporte ferroviário é utilizado por passageiros e empresas de carga”, pela “qualidade de serviço, se os comboios são pontuais e rápidos e se as viagens são acessíveis” e através da segurança, verificando se “o sistema ferroviário segue os mais altos padrões de segurança”.

De facto, este é o relatório mais recente da autoria da BCG sobre ferrovia. no entanto assinala-se mais uma vez que já tem seis anos.
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