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“Festa da Espiga” promovida pelo Livre tem o financiamento da Câmara de Lisboa e do PS?

Política
O que está em causa?
Numa mensagem enviada ao Polígrafo, um leitor denuncia que a "Festa da Espiga 2023" promovida pelo partido Livre conta com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Lisboa e até do partido socialista. Isto porque vai decorrer no Quartel do Cabeço da Bola, onde, alega-se, todas as atividades "têm o apoio financeiro da autarquia". Confirma-se?

Um leitor enviou ao um pedido de verificação relacionado com um evento organizado pelo Livre, partido liderado pelo deputado único Rui Tavares. Na mensagem que fez chegar ao Polígrafo, afirma que a “Festa da Espiga” vai decorrer num “imóvel com propriedade da Fundiestamo (Partido Socialista), com o Apoio Financeiro da CML”. Garante ainda que “todas as atividades que ocorrem no Quartel do Cabeço de Bola têm o apoio Financeiro da Câmara Municipal de Lisboa”.

Esta acusação dirigida ao partido tem fundamento?

Em primeiro lugar, é verdade que a “Festa da Espiga”, que compreende a realização de concertos, sessões de cinema e debates organizados pelo Livre, está a decorrer no Quartel do Largo do Cabeço de Bola, entre hoje, 19 de maio, e amanhã, 20.

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial do partido garante que o evento não tem qualquer financiamento da Câmara Municipal de Lisboa (CML) ou de qualquer outra entidade que não seja o próprio Livre. Reforça que “não pediu ou requereu qualquer financiamento nem o deseja”. Mais, refere que o espaço em causa – Quartel do Largo do Cabeço de Bola – é propriedade da Fundiestamo, “que não é do PS, mas sim uma entidade do Estado, que está cedida à Largo Residências, uma cooperativa que gere o espaço”.

A mesma fonte garante que “o Livre irá custear a cedência do espaço como qualquer outra entidade que ali queira organizar algum evento”. E lembra que uma das propostas pelas quais o partido mais se tem batido na Assembleia da República e na Câmara de Lisboa é o “aproveitamento de antigos quartéis desativados ou esvaziados para outros usos, seja habitação, sejam culturais, razão pela qual pareceu adequado apoiar e divulgar este projeto”. A “Festa da Espiga” será então financiada exclusivamente pelo Livre e pelos participantes que pagam um valor para participar no evento.

O partido representado no Parlamento por Rui Tavares reage à acusação enviada ao Polígrafo, garantindo que se trata de uma “invenção completa que terá apenas objetivos políticos”.

A Câmara de Lisboa informa, também, que “não atribuiu qualquer apoio financeiro ao evento mencionado”. Garante ainda que “não corresponde à verdade que todas as atividades que ocorrem no quartel localizado no Largo do Cabeço de Bola tenham o apoio financeiro da autarquia, que não é, aliás, a proprietária do imóvel”.

O Executivo liderado atualmente por Carlos Moedas assinala, no entanto, que atribui, desde 2011, um “apoio financeiro anual à SOU/Largo, que tem vindo a desenvolver a sua atividade no quartel no Largo do Cabeço de Bola“. O apoio “refere-se à atividade desenvolvida por esta entidade na área da intervenção sociocultural e comunitária”.

A autarquia destaca, entre outros trabalhos desenvolvidos pela SOU/Largo, “o festival Bairro em Festa, para o acolhimento de agentes culturais da cidade, bem como para a articulação com o Centro de Acolhimento de Emergência de Santa Barbara, no âmbito do plano municipal para a pessoa em situação de sem-abrigo”.

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