É uma publicação de meados de 2016, com origem na página “Tuga Press”, mas ressurgiu esta semana nas redes sociais, partilhada por milhares de pessoas. “Ferro Rodrigues em transporte VIP a 190 euros por hora”, destaca-se no título. “Luxo marca visita do presidente do Parlamento ao Luxemburgo. Cento e noventa euros por hora é quanto custa o transporte VIP que o presidente da Assembleia da República usou nas suas deslocações no interior da cidade do Luxemburgo, onde esteve nos últimos dois dias em visita oficial”, indicam os dois primeiros parágrafos.

Quem ler apenas o título e os dois primeiros parágrafos, por esta altura já estará bastante indignado com as “mordomias luxuosas” (um dos comentários mais comuns relativamente a esta publicação, nas redes sociais, além de insultos vários que o Polígrafo opta por não transcrever), mas o texto descreve ainda mais pormenores: “O atendimento foi assegurado pela BlackCab.Lux VIP. O automóvel colocado ao serviço de Ferro Rodrigues foi um dos modelos mais exclusivos da Mercedes: o Maybach EL02”.

E prossegue: “O Hotel onde esteve hospedada a segunda figura do Estado sublinha o luxo que rodeou esta visita. Trata-se do Royal Hotels & Resorts, considerado o cinco estrelas mais moderno do Luxemburgo. A diária custa, em média, 300 euros. O pequeno-almoço não está incluído”. O texto é acompanhado por uma imagem de Ferro Rodrigues a sair do referido hotel (“o cinco estrelas mais moderno”) e a entrar no já identificado automóvel Mercedes (“um dos modelos mais exclusivos”).

A interpretação deste texto parece ser unânime entre os milhares de internautas que a têm difundido (sem indicar que se trata de uma viagem oficial efetivamente realizada em 2016, não esta semana, nem sequer recentemente), a saber: o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, usufruiu de uma opulenta visita ao Luxemburgo, com automóveis e hotéis de luxo, às custas dos contribuintes portugueses.

É precisamente isso que está implícito em todo o texto da publicação até ao parágrafo final, quando se percebe que o “Tuga Press” adaptou uma notícia do jornal “Correio da Manhã” e a moldou de acordo com a mensagem que pretenderia difundir. Eis a revelação: “Contactado pelo ‘Correio da Manhã’ sobre os custos desta viagem, o gabinete do presidente da Assembleia esclareceu que ‘as questões logísticas da deslocação foram sugeridas e financeiramente suportadas pelo Grão-Ducado do Luxemburgo’, uma vez que a visita resultou de um convite do seu homólogo, Mars Di Bartolomeu”.

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ANDRÉ KOSTERS/LUSA créditos: Lusa

Mais, “segundo a mesma fonte, Ferro Rodrigues viajou em classe económica. Hoje parte para Estrasburgo (França), a fim de participar na conferência europeia dos presidentes dos parlamentos. Está prevista que a deslocação seja feita de comboio”. Ora, estas duas informações finais, essenciais, estão mesmo no final da publicação, por entre anúncios publicitários, quase impercetíveis. E poucos internautas terão chegado a esse ponto do texto, atendendo aos comentários que têm feito sobre esta visita oficial de Ferro Rodrigues ao Luxemburgo, em 2016, ressuscitada para a atualidade das redes sociais nestes primeiros dias de fevereiro de 2019.

Em conclusão, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, realizou uma visita oficial ao Luxemburgo em 2016, de facto. Mas os automóveis e hotéis de luxo (descritos ao pormenor na publicação em causa) não foram suportados pelos contribuintes portugueses. “As questões logísticas da deslocação foram sugeridas e financeiramente suportadas pelo Grão-Ducado do Luxemburgo”, garantiu na altura o gabinete de Ferro Rodrigues. É esse o protocolo diplomático, quando se trata de uma visita oficial a convite da outra parte, o Estado anfitrião.

Avaliação do Polígrafo:

 

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