É uma publicação de 20 de fevereiro, na página oficial do partido Chega no Facebook, começando por salientar que o MRPP, "o tal partido de Ana Gomes, de Fernando Rosas, entre outros, aquele partido que usava e abusava do slogan 'Morte aos Traidores' e que rege a conduta de muitos dos que por lá passaram e gravitaram, torturou e sequestrou em nome de um extremismo absurdo e criminoso".

"Essas são hoje aquelas pessoas que, dizendo-se de bem, querem fazer o Chega, o seu líder André Ventura e meio milhão de portugueses, passar por criminosos que nunca foram ou serão, tentando a sua ilegalização e fazendo uma perseguição que faz jus à 'escola' que lhes deu cor à vida política! É caso para dizer: Percebem ou não? Chega de branquear quem não nos merece confiança", acrescenta-se.

A seguir a este comentário destaca-se então a mensagem principal, associada a uma imagem do rosto de Fernando Rosas, historiador e antigo dirigente e deputado do Bloco de Esquerda.

"Fernando Rosas diz que Marcelino da Mata foi um criminoso, mas foi ele que torturou homens e sequestrou mulheres em 1976", acusa-se, remetendo para uma suposta notícia do jornal "Diário de Lisboa" de 19 de maio de 1976, segundo a qual "um grupo de cinco operacionais do MRPP, sob o comando à distância do dirigente do Comité Central, Fernando Rosas, (…) torturou e espancou António Ferreira de Sousa, dissidente da organização, e seu irmão, sob a ameaça de uma pistola, aterrorizando também as suas mulheres que sequestraram".

"À saída ameaçaram: 'Desta vez foi à porrada, da próxima vez será a tiro'. Horas depois, dois desses operacionais do MRPP, sob o comando do mesmo Fernando Rosas, invadiram à força e sob a ameaça de uma pistola, a casa na Amadora do fotógrafo Eduardo Miranda, outro dissidente da organização, a quem espancaram para lhe roubar o artigo fotográfico. Como os vizinhos acudissem, os operacionais do MRPP tiveram de fugir e largaram a pistola e as munições. Estes dois sequestros, torturas e espancamentos foram realizados não no contexto de uma guerra, mas no regime das 'amplas liberdades'", conclui-se.

O próprio líder do partido, André Ventura, também partilhou esta publicação no Twitter, comentando: "A hipocrisia a que o Bloco de Esquerda já nos habituou!".

As alegações em causa têm fundamento?

O arquivo de todas as edições publicadas do jornal "Diário de Lisboa" está diponível na página da Fundação Mário Soares. Consultando a edição de 19 de maio de 1976, referida na acusação do Chega, encontramos uma notícia com o seguinte título: "Dois irmãos torturados - 'Comando' MRPP imita a PIDE".

No entanto, o facto é que não há qualquer referência a Fernando Rosas no texto da notícia (pode conferir aqui), ao contrário do que se alega (ou cita, sem indicação de fonte) no post do Chega.

Por outro lado, questionado pelo Polígrafo, Fernando Rosas garante que "tudo isso é uma mentira total, nem sei do que é que trata essa notícia e o meu nome nem sequer é referido. Trata-se de uma pura calúnia".

"Vou proceder criminalmente contra o Chega e André Ventura, porque naturalmente se trata de uma mentira. Já fiz queixa-crime contra ele por difamação", informa o historiador. "Só lamento que, para esse partido, a única forma de responder aos argumentos da verdade histórica seja atirar lama para cima das pessoas, mas a isso já nos habituaram. A única resposta a dar é processá-los criminalmente, como farei".

"Vou proceder criminalmente contra o Chega e André Ventura, porque naturalmente se trata de uma mentira. Já fiz queixa-crime contra ele por difamação", informa Fernando Rosas. "Só lamento que, para esse partido, a única forma de responder aos argumentos da verdade histórica seja atirar lama para cima das pessoas, mas a isso já nos habituaram. A única resposta a dar é processá-los criminalmente, como farei".

Também contacatada pelo Polígrafo, fonte oficial do Bloco de Esquerda reage à publicação do Chega que classifica como "mais uma acusação vil, grave e mentirosa que André Ventura tenta dirigir ao Bloco de Esquerda e à esquerda em geral, recorrendo a mentiras para tentar atacar e desviar as atenções".

Este ataque do Chega a Rosas tem um contexto, ocorrendo na sequência de um debate na TVI, a 16 de fevereiro, em que o historiador afirmou que o recém-falecido tenente-coronel Marcelino da Mata foi "um criminoso de guerra" e "traiu a causa da independência do seu próprio país".

"Tenho alguma dificuldade em perceber a presença do Presidente da República e dos Chefes de Estado-Maior e até de alguns bispos na homenagem a Marcelino da Mata", sublinhou Rosas, fundador do Bloco de Esquerda em 1999 e também do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) em 1970.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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