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Fernando Medina: “Todos os bancos centrais da Zona Euro têm prejuízo” em 2023

Política
O que está em causa?
O atual ministro das Finanças disse no Parlamento que ficou surpreendido e preocupado com o prejuízo registado pelo Banco de Portugal em 2023. O anterior ministro das Finanças respondeu numa entrevista ao jornal "Expresso", sublinhando que isso já se sabia "há mais de um ano" e, aliás, "todos os bancos centrais da Zona Euro têm prejuízo".
© Agência Lusa / António Cotrim

No debate parlamentar sobre o Programa do Governo, a 11 de abril, o atual ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que “foi com surpresa, espanto e preocupação que nós hoje recebemos a informação de que o Banco de Portugal tem um prejuízo superior a mil milhões de euros”.

Nesse mesmo dia, o “Jornal de Negócios” noticiou que o Banco de Portugal registou, em 2023, um resultado operacional negativo de 1.054 milhões de euros, embora tenha utilizado a provisão para riscos gerais de forma a garantir um resultado nulo.

Em entrevista ao jornal “Expresso”, a 18 de abril, o ex-ministro das Finanças, Fernando Medina, também disse ter ficado “surpreendido” com as declarações de Miranda Sarmento, na medida em que “a existência de prejuízos no Banco de Portugal é algo que é público há mais de um ano. Houve, aliás, escritos sobre isso por parte de administradores do Banco de Portugal que são militantes do PSD. Aliás, não é o Banco de Portugal que tem prejuízo, todos os bancos centrais da Zona Euro têm prejuízo“.

Esta última alegação de Medina tem fundamento?

Sim. O vizinho Banco de España, por exemplo, pela primeira vez na sua História não registou lucros em 2023. Tal como o Banco de Portugal, utilizou provisões para cobrir os prejuízos operacionais e assegurar um resultado nulo.

No Deutsche Bundesbank da Alemanha verifica-se o mesmo cenário: resultado operacional negativo de -2.381 milhões de euros, cobertos por reservas para obter um resultado nulo (já em 2022 tinha acontecido o mesmo, embora a uma escala menor, -172 milhões de euros.

Por sua vez, o Banque de France também recorreu à provisão para riscos gerais de forma a cobrir um resultado operacional negativo de -12,4 mil milhões de euros.

Aliás, o mesmo se aplica ao Banco Central Europeu (BCE) que obteve um resultado negativo de -1.266 milhões de euros.

Este fenómeno generalizado nos bancos centrais da Zona Euro deriva do aumento das taxas de juro para suster a inflação, base central da política monetária em 2023, o que beneficia os bancos comerciais em detrimento dos bancos centrais (desde logo por terem de pagar mais pelos depósitos dos bancos comerciais).

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Avaliação do Polígrafo:

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